PF não responde a acusação de vazamento de informações

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Publicado quinta-feira, 24 de maio de 2007 as 19:32, por: cdb

A Polícia Federal (PF) afirmou, em nota divulgada na tarde desta quinta-feira, que não irá se manifestar sobre as críticas do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) ao vazamento de informações sigilosas relativas à Operação Navalha, deflagrada pela PF no último dia 17.

A nota afirma que”a relação institucional da PF com o Poder Judiciário, especialmente com o STF, é de respeito e pleno acatamento as suas decisões. Não cabe manifestação sobre a opinião pessoal de um de seus ilustres membros”.

Na noite de quarta-feira, Mendes criticou o vazamento de informações sigilosas relativas à Operação Navalha, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 17. O ministro classificou o vazamento como uma “canalhice”.

A PF afirma aguardar apenas uma requisição para tomar as providências necessárias à apuração de possíveis irregularidades. O texto diz ainda que “a legalidade dos atos da Polícia Federal encontra-se submetida aos controles institucionais das autoridades judiciárias e do Ministério Público competentes” e que “exemplo disso é o harmônico trabalho que resultou na Operação Navalha, cujas decisões estão sob o crivo da ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon, relatora do inquérito, e do procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza”.

A nota também afirma que o aperfeiçoamento dos mecanismos de investigação verificado nos últimos anos tem permitido à Polícia Federal desmantelar inúmeras organizações criminosas, com a obtenção de indícios e de provas que revelam “a materialidade de delitos de natureza grave e a sua autoria, com destaque para o combate das infrações penais cometidas contra a administração pública”.    

As críticas do ministro ocorreram após surgirem boatos, divulgados por parte da imprensa, de que seu nome estaria entre os acusados de receber presentes da Construtora Gautama. O proprietário da empresa, Zuleido Soares Veras, é acusado de ser o mentor de suposto esquema criminoso criado para fraudar licitações públicas e desviar recursos federais destinados a programas como o Luz para Todos.

Segundo nota da assessoria do STF divulgada na quarta-feira, o ministro informou que as citações referem-se a uma outra pessoa que possui prenome e sobrenome iguais ao seu, o que se poderia “comprovar em outros trechos das próprias transcrições”. O ministro, segundo a nota, realizou uma pesquisa em seu gabinete para dirimir qualquer dúvida.

No Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ministra Eliana Calmon ouviu mais um dos presos da Operação Navalha. O funcionário da Construtora Gautama, Florêncio Brito Vieira, foi o quarto depoente do dia e o 33º dos 47 presos a ser solto.