PF e MP investigam máfia de servidores em hospital federal

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Publicado quarta-feira, 30 de abril de 2003 as 09:02, por: cdb

Ministério Público e Polícia Federal estão investigando a existência de uma máfia de servidores federais que se beneficia de contratos com a União e que funcionaria dentro do Instituto de Traumato-Ortopedia, no centro do Rio. A denúncia foi feita pelo próprio diretor do instituto, Sérgio Côrtes.

Sérgio teve seu gabinete invadido no início da tarde desta segunda-feira. Os bandidos destruíram um computador, reviraram armários e, com um paletó e gravata, montaram um cenário de enforcamento. Éles se aproveitaram da saída de Sérgio, por volta de meio-dia, e entraram pela porta dos fundos, onde não há câmeras de vídeo.

Chamou a atenção da polícia o fato de não ter havido arrombamento,o que indica que o invasor é funcionário do hospital. Ele subiu ao segundo andar pelas escadas, passou pelo corredor, onde também não há câmeras, e entrou no gabinete com a chave reserva, que sumiu da portaria na sexta-feira anterior. De manhã, todo o segundo andar teve a vigilância reforçada por seguranças do hospital.

No mesmo dia, pouco depois, um telefonema anônimo ameaçou o diretor.

– Dê um recado para o seu diretor. Diz para ele que os seus dias estão contados, pois ele está atrapalhando muito. Pode ser ainda essa semana. Diz para ele não se meter. Diz para ele não se meter – avisava.

Desde que assumiu a direção do instituto, em outubro do ano passado, o médico vem revendo os contratos com os fornecedores. Até agora, foram revistos 50 contratos, o que resultou no cancelamento de cinco deles e na identificação de cobranças indevidas que somam R$ 2,5 milhões.

– Com certeza conseguiram me colocar medo. Eu vou continuar trabalhando à frente disso porque eu tenho certeza de que nós vamos conseguir vencer – disse Sergio Côrtes, que está sob a proteção da Polícia Federal.

Um representante do Ministério da Saúde, Adilson Batista Bezerra,chegou nesta ter;a-feira de Brasília para uma reunião com o diretor e a procuradora federal Mônica Campos Ré.

– A consultoria jurídica do ministério vai atuar em conjunto com o MP e a PF para que sejam punidos os servidores envolvidos – afirmou Adilson.

– Estão tentando pressionar a paralisação dessas investigações. Existem funcionários sendo investigados mas, por enquanto, os nomes são mantidos em sigilo – explicou Mônica. Segundo ela, denúncias sobre irregularidades nas licitações do hospital são recebidas desde 2000.