Peter Greenaway diz que cinema precisa ser reinventado

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Publicado domingo, 25 de maio de 2003 as 13:27, por: cdb

O diretor britânico Peter Greenaway disse que o cinema atual é previsível e segue sempre a mesma fórmula. Ele apresentou seu trabalho mais estranho em Cannes, no último sábado (24).

O diretor, cujo filme The Tulse Luper Suitcases, Part 1: The Moab Story é o primeiro de uma trilogia, sugeriu que os festivais de cinema, como o de Cannes, estão obsoletos.

– A maior parte do cinema feito hoje é uma ilustração de romances do século 19. Muito do que é feito é desastroso, previsível e segue fórmulas batidas. O senso de pluralismo foi podado – disse Greenaway.

Os avanços nas áreas de multimídia, Internet e interação com o público significam que o cinema tradicional – no qual o público fica sentado em silêncio num cinema escuro – já morreu, disse ele em coletiva de imprensa.

– Há uma mudança profunda ocorrendo no cinema. Qual é o significado atual de um festival de cinema? Dentro de 10 anos, o festival de Cannes não terá mais razão de ser – disse o diretor britânico no evento que ele descreveu recentemente como “uma vitrine vulgar”.

Greenaway está fazendo uso pleno dos avanços que citou. Sua trilogia é complementada por 92 DVDs que mostram apenas o conteúdo das 92 malas do herói dos filmes – conteúdo esse que abrange desde rãs vivas até papel de parede respingado de sangue -, além de interminável conteúdo Web.

O novo filme mostra o alter ego de Greenaway, Tulse Luper, fazendo uma viagem histórica em volta ao mundo, desde o País de Gales na época da guerra até aventuras distorcidas com mórmons no Utah, e de volta à Europa.

Basicamente um filme de oito horas dividido em três, o trabalho brinca com narrativa, roteiro e visuais de vanguarda para produzir algo que a maior parte do pública ou vai adorar ou odiar por completo.

A história começa num palco e passa para o deserto do Utah, onde Tulse Luper se vê amarrado a um poste, com sua genitália recoberta de mel, tentando afastar as moscas que zunem em seu redor.

Greenaway disse que as pessoas devem assistir ao filme mais de uma vez para poder apreciá-lo.

Após a exibição, os fãs do cineasta, criador de O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante, elogiaram o filme, mas outras pessoas saíram irritadas da sessão.

Resta ver como Tulse Luper vai se sair com o júri deste ano, que inclui artistas de tendências convencionais, como Meg Ryan.

Peter Greenaway já foi indicado quatro vezes em Cannes, mas até hoje nunca recebeu um prêmio no festival.