Pesquisas revelam perfil socioeconômico e demandas das cooperativas

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Publicado segunda-feira, 12 de março de 2012 as 09:01, por: cdb

Pesquisas revelam perfil socioeconômico e demandas das cooperativas

12/03/2012 – 11:58

  

Maria do Carmo Pagani

 

A força de trabalho nas cooperativas de reciclagem de Campinas é composta em maioria por mulheres, que somam 70,5% do universo da mão de obra neste segmento. Elas, em maior parte (17,5%), têm entre 31 e 38 anos, são de Campinas e, anteriormente aos serviços no setor de reciclagem, já ocuparam funções como auxiliar de limpeza e empregada doméstica.

 

Estas são algumas constatações de um trabalho resultante de duas pesquisas efetuadas pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda, via Coordenadoria de Economia Solidária, junto às 13 cooperativas de material reciclável e uma associação de catadores do município, divulgados nesta sexta-feira, dia 9 de março. O trabalho foi realizado com apoio da Acoop (Associação das Cooperativas de Campinas e Região), CRCA (Centro de Referência em Cooperativismo e Associativisno, e Reciclamp.(Clique aqui para ver as pesquisas)

 

O trabalho, realizado por técnicos da secretaria, se constitui em verdadeiro diagnóstico das condições socioeconômica dos cooperados das demandas e dificuldades enfrentadas por elas.

 

O diretor de Trabalho e Renda, Flávio Luiz Sartori, explica que nos últimos anos a reciclagem passou por inúmeras alterações, principalmente em função da diminuição do interesse nesta atividade, já que o mercado formal de trabalho, com a situação de pleno emprego e suas vantagens como melhores condições de atuação, carteira assinada e benefícios trabalhistas, tornou-se mais atrativo. Aliado a este fato, a crise econômica mundial no final de 2008 fez despencar também o preço dos recicláveis, resultando, consequentemente, na redução da remuneração dos cooperados, que hoje está, em média, entre R$ 500,00 e R$ 700,00 por mês.

 

E além disso, ressalta Sartori, a sanção do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12305/2010), que estabelece, entre outros, remuneração às cooperativas pelo serviço de recolhimento do reciclável, impulsionou a Administração municipal iniciar o processo de reestruturação das cooperativas, no sentido de proporcionar condições mais humanizadas e modernizadas de atuação, garantindo, assim, a possibilidade de agregação de valor àquele trabalho.

 

A necessidade de investimentos e de reestruturação pôde ser constatada no trabalho que considerou especificamente temas como se o grupo acumula alguma dívida; se possui ou não equipamentos de trabalho e de proteção aos trabalhadores; as condições estruturais dos locais onde estão instaladas, entre outras, constituindo-se um verdadeiro raios x desses empreendimentos.

 

Segundo apurou o levantamento, a totalidade das cooperativas da cidade demanda investimentos para melhoria das condições de trabalho, da estrutura física de seus galpões, para aquisição, reforma e conserto de equipamentos, aquisição de imóveis para a instalação, entre outros. E o volume de recursos para a garantia destes investimentos varia entre R$ 60 mil a R$ 1,5 milhão.

 

O empenho da Administração municipal, que teve inclusive três projetos, que somam 4,9 milhões no total, selecionados pelos ministérios do Trabalho e Emprego e da Ciência e Tecnologia, ressalta Sartori, é exatamente de inverter a realidade de trabalho e de condições de operação nestas cooperativas, no sentido de que elas se tornem mais profissionalizadas. As pesquisas foram elaboradas para também contribuírem com os ajustes necessários aos projetos pleiteando verbas encaminhados pela Prefeitura aos ministérios.

 

“Estamos também em busca de recursos que contribuam para a qualificação desses trabalhadores, principalmente neste momento em que o Plano Nacional de Resíduos Sólidos estabelece a necessidade de os municípios criarem seus planos locais e que, a partir de agora as cooperativas sejam remuneradas pelos municípios pelo trabalho de coleta dos resíduos que irão reciclar”, explica.