Pesquisa revela que gravações em CD podem perder-se em dois anos

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Publicado sexta-feira, 29 de agosto de 2003 as 15:35, por: cdb

Imagens fotográficas, filmes e outras informações estocadas digitalmente em compact discs podem não estar tão seguros como os consumidores acreditam, de acordo com a PC-Active, um revista holandesa sobre computadores. É claro que os fabricantes asseguram que um CD durará no mínimo 10 anos ou mais, se mantido sob condições normais.

Mas, segundo a pesquisa publicada na edição de setembro da revista, três de 31 marcas de CDs testadas na Holanda, ou quase 10%, apresentavam erros sérios menos de dois anos depois de serem gravados. Um disco deteriorou-se tão seriamente que ficou virtualmente ilegível, de acordo com os testes da PC-Active, a terceira maior revista sobre computadores da Holanda, com uma circulação de 60.000 exemplares.

Segundo o editor da revista, Wammes Witkop, os CDs foram gravados em novembro de 2001, como parte de um teste anterior de qualidade dos discos mais disponíveis no mercado holandês. Eles foram testados depois de gravados e cuidadosamente guardados em arquivos, numa sala à temperatura ambiente, durante 20 meses, até que foram retestados no mês passado.

Wiktop diz que é impossível determinar o que causou a deterioração dos discos, comprados de vários varejistas holandeses. Eles foram submetidos a testes rigorosos que mostraram resultados consistentes, assegura. No disco mais danificado, comprado na rede de drugstores Kruidvat, os erros foram encontrados sobre a superfície, num padrão idêntico ao rótulo impresso, sinalizando um possível problema com a tinta.

A porta-voz da Kruidvat diz que a empresa confirmou que alguns dos discos vendidos em 2001 tinham problemas e encorajara os cliente a pedir reembolso ou ajuda para reaver as informações perdidas.

— Parece que alguma informação pode ser recuperada usando-se equipamento profissional — diz Marielle van der Harst. Ela afirma que os discos vendidos agora pela rede não têm problemas.

Outra marca que deu maus resultados foi a Mmore, que domina cerca de 20% do mercado holandês. A Mmore, que vende compact discs em 20 países, afirma que os resultados dos testes estão errados e ainda garante seus CDs por 70 anos.

— Nós vendemos 600 milhões de CDs e nunca houve uma única reclamação sobre eles — diz o executivo-chefe, Gerben Borsje, numa entrevista.

— Algumas vezes pessoas têm problemas com o calor, ou com o software ou com as instruções. Mas nunca um problema com a qualidade.

Embora haja centenas de marcas de CDs, quase todas são fabricadas por uma dúzia de empresas, lembra Borsje. Os CDs Mmore são produzidos pela Moserbaer, com sede na Índia, cujos engenheiros estão agora revisando vários outros CDs Mmore encontrados com defeitos pela PC-Active. Os resultados devem sair a semana que vem.

Ewald Kowen, porta-voz da Comissão de Proteção ao Consumidor da Holanda, diz que tem havido poucas reclamações sobre CDs, embora tenham amplo uso doméstico e comercial. O Centro Médico Amsterdã, o maior hospital holandês, usa CDs em seu departamento de cardiologia há cerca de dois anos para guardar resultados de testes.

Seu porta-voz diz que não se notou nenhum problema com eles até agora. Segundo ele, o hospital usa apenas CDs de alta qualidade e “os problemas surgem apenas nos mais baratos”. Steven Gilheany, engenheiro da ArchiveBuilders.com, uma empresa californiana especializada em arquivamento de informações, acha que “a existência de CDs com problema no mercado é coisa muito séria”, mas não está prevendo perda de informação em seu serviço.

O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, uma agência federal americana, está desenvolvendo um sistema de classificação para ajudar os consumidores aferirem a qualidade dos CDs. Witkop, da PC-Active, diz que a intenção da matéria de sua revista é alertar as pessoas de que as informações gravadas em CD podem não estar tão seguras como se imagina.

— As pessoas dão c