Pesquisa mostra que Sarkozy manteve vantagem depois de debate na tevê

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Publicado quinta-feira, 3 de maio de 2007 as 10:41, por: cdb

O conservador francês Nicolas Sarkozy é o franco favorito para o segundo turno da eleição presidencial, no domingo, depois de ter ofuscado sua rival socialista, Ségolène Royal, num debate televisivo, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira.

De acordo com a pesquisa do instituto Opinionway para o jornal Le Figaro, 53% dos espectadores acharam Sarkozy mais convincente na noite de quarta-feira, contra 31% que tenderam para Royal.

Numa discussão muitas vezes acalorada, Royal foi surpreendentemente agressiva, ao contrário de um recolhido Sarkozy. Mas não houve frases de efeito letais ou gafes que entrem para a história política.

“Cada lado vai celebrar seu campeão e ridicularizar o adversário”, disse o jornal Le Parisien.

O influente Le Monde disse que a qualidade do debate foi frustrante e deu poucos sinais dos caminhos que fariam a França avançar.

O jornal, porém, deu um cauteloso aval a Royal, dizendo que sua vitória lhe daria autoridade para renovar a esquerda francesa. “É uma aposta. Para o país, vale a pena tentar”, escreveu o editor Jean-Marie Colombani.

Sarkozy, que apareceu como líder em mais de cem pesquisas desde o início do ano, disse não acreditar que o debate terá grande influência sobre os rumos da campanha.

“Não acho que tudo vá ser decidido por um debate, por mais que seja um grande evento de mídia”, afirmou ele a uma rádio.

O conservador Nicolas Sarkozy, que levou vantagem na votação do primeiro turno, e a socialista Ségolène Royal discutiram emprego, economia, legislação e segurança, entre outros assuntos.

A quatro dias do segundo turno da eleição presidencial na França, os dois candidatos fizeram nesta quarta-feira à noite um tenso debate na televisão, diante de um público estimado de cerca de 20 milhões de pessoas.

O debate foi transmitido pelas duas maiores redes de televisão da França. Durante o debate, Royal criticou o histórico de Sarkozy, ex-ministro do Interior, no governo, particularmente nas questões de crime e segurança, que são tidos com pontos fortes do candidato.

Segurança e economia

“Em 2002, senhor Sarkozy, o senhor falou de tolerância zero, mas hoje pode ver que os franceses estão preocupados com o aumento da violência e da agressão na sociedade francesa”, disse Royal.

O ex-ministro do Interior defendeu-se, dizendo que as estatísticas mostraram uma redução no número de crimes violentos.

Os rivais também debateram a reforma do setor público e a questão do emprego. Sarkozy disse que uma jornada semanal de 35 horas, introduzida no país pelos socialistas, foi um desastre para a economia. Ele disse que a França precisa trabalhar mais.

“Ela (Royal) ainda pensa que você precisa compartilhar o trabalho como se fossem pedaços de bolo”, disse Sarkozy. “Nenhum país no mundo aceita esta lógica, que é um erro monumental.”

Ele também criticou a política de pensão de Royal. Sarkozy e Royal disputam os 18% dos votos obtidos pelo centrista François Bayrou e também a preferência dos eleitores do candidato da extrema-direita Jean-Marie Le Pen.