Pesquisa: 61% dos brasileiros ainda acham que aids não mata

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 17 de novembro de 2003 as 10:28, por: cdb

Uma pesquisa realizada a pedido da BBC em 15 países revelou que 61% dos brasileiros entrevistados não acreditam que a aids e o HIV possam provocar a morte.

O Brasil foi o país que mostrou maior ignorância das conseqüências da aids para o ser humano, de acordo com a pesquisa, apesar de terem morrido 8,4 mil brasileiros em consequência da doença em 2001, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). No México, 31% dos entrevistados disseram duvidar de que a doença seja fatal e, nos Estados Unidos, esse número foi de apenas 2%.

A pesquisa foi feita por telefone no Brasil, com 1.007 pessoas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro, entre os dias 10 e 24 de agosto deste ano. Os outros países participantes foram Bangladesh, China, Grã-Bretanha, Índia, Indonésia, Líbano, México, Nigéria, Rússia, África do Sul, Tanzânia, Trinidad, Ucrânia e Estados Unidos.

Apesar de o programa brasileiro de prevenção e combate à aids ter sido reconhecido pela ONU como exemplar para o mundo, parece haver ainda muita confusão no país sobre a formas de transmissão do HIV. Compartilhar objetos de uso pessoal, como roupas, toalhas e copos, não transmite o vírus, mas um em cada quatro consultados no Brasil acredita que possa pegar a doença dessa forma.

Mães

Outra informação sobre a qual os entrevistados brasileiros mostraram pouco conhecimento é a transmissão materno-fetal. Entre os ouvidos pela pesquisa, 28% não sabiam que as mães portadoras de HIV podem passar o vírus para seus filhos durante a gravidez. No México, 12% ignoram a transmissão materno-fetal e, nos EUA, 4%.

Entre cinco alternativas apresentadas, quase a metade (47%) dos brasileiros consultados disse que a maior preocupação no momento é a criminalidade e impunidade.

Outros 21% disseram temer problemas de saúde e 18% se mostraram mais preocupados com a aids.

As outras possibilidades de respostas eram segurança financeira (a principal dor de cabeça para 11% dos entrevistados no Brasil) e ataques terroristas (que ocupam a mente de apenas 3% desses brasileiros).
As questões que mais incomodam os mexicanos, segundo a pesquisa, são problemas de saúde e criminalidade, deixando a aids em quarto lugar.

A doença é a menor entre as cinco preocupações para os britânicos, chineses, russos e americanos, esses mais envolvidos com a segurança financeira. A aids só foi apontada como a maior questão da atualidade pelos entrevistados na Tanzânia, onde 66% escolheram a doença entre as cinco opções, na Nigéria (52%) e na Índia (29%).

Educação

Quando o critério é a educação de crianças sobre a aids, o Brasil é o segundo mais liberal dos 15 países em que foi feito o levantamento.

Apesar de ser uma das populações com maior número de católicos do mundo, 94% dos entrevistados disseram que crianças antes dos 14 anos já devem ser informadas de que a camisinha protege contra o HIV.

O país só não é tão liberal quanto o México, onde 97% dos consultados disseram que essa informação deveria ser fornecida às crianças. Nos Estados Unidos, 74% acham positivo as crianças receberem esse tipo de educação sexual.

A percepção de 66% dos brasileiros entrevistados na pesquisa é que o governo não está fazendo o suficiente para prevenir e combater a aids.

No México, o descontentamento é ainda maior e atinge 78% dos consultados. Entre os americanos, 41% estão satisfeitos com as ações públicas e esse número sobe ainda mais no outro país da América pesquisado: as ações do governo de combate à aids têm 78% de aprovação em Trinidad.