Pentágono expulsa jornalistas que expõem planos de guerra

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Publicado segunda-feira, 31 de março de 2003 as 17:40, por: cdb

O controvertido jornalista de origem porto-riquenho da cadeia Fox News Geraldo Rivera se somou nesta segunda-feira, à lista de jornalistas expulsos do Iraque pelo Pentágono ou advertidos por sua cobertura comprometedora da guerra.

O tenente comandante Charles Owens, do Comando Central no Catar, confirmou nesta segunda-feira que o Pentágono “pediu a Rivera que saia do país” porque o jornalista teria divulgado informações excessivas sobre o deslocamento das tropas aliadas.

Rivera não está entre os 600 jornalistas “integrados” nas unidades de combate americanas mas, ao acompanhar a divisão 101 aerotransportada, “há certos regulamentos que devem ser seguidos porque, do contrário, podem causar sua expulsão”, disse Owens.

Ele explicou que a divulgação de informações relacionadas com o movimento e atividades das Forças Armadas comprometem a segurança das tropas, algo que é punido pelo Pentágono.

A cadeia Fox News não respondeu à perguntas sobre a situação de Rivera, um correspondente conhecido por seu estilo sensacionalista e muitas vezes protagonizar ele mesmo as notícias.

Depois da expulsão, os jornalistas são levados a um “ponto de embarque” e, a partir dali, “o que fazem é problema deles”, acrescentou o militar.

Pouco após a divulgação da notícia de sua expulsão, Rivera afirmou que trata-se de “uma série de mentiras” da concorrência, que mantém um bom relacionamento com os soldados e que pretende marchar com eles até Bagdá.

Rivera não está só na controvérsia sobre a cobertura da guerra.

No último dia 27, Philip Smucker, um jornalista que trabalha de forma independente para o The Christian Science Monitor, dos EUA, e o The Daily Telegraph, de Londres, foi expulso para o Kuwait pelo Pentágono por revelar a situação de uma unidade dos fuzileiros navais durante uma entrevista à cadeia televisiva CNN.

Smucker, de 41 anos, também não estava integrado com as unidades militares mas se uniu à primeira divisão dos fuzileiros junto com um fotógrafo.

Na ocasião, o editor do jornal americano, Paul Van Slambrouck, defendeu o trabalho de Smucker: “Não nos parece que tenha divulgado material que já não estivesse amplamente disponível em mapas e outros meios de comunicação naquele dia”, disse.

Enquanto isso, as cadeias NBC e MSNBC e National Geographic anunciaram nesta segunda-feira que cancelaram seu contrato com o jornalista Peter Arnett, que deu uma entrevista à emissora estatal iraquiana.

Na entrevista de 15 minutos, Arnett criticou os planos de guerra americanos e afirmou que as baixas civis no Iraque alimentaram o movimento contra a guerra nos Estados Unidos.

Arnett, vencedor de um prêmio Pulitzer por sua cobertura da Guerra do Vietnã e famoso por suas reportagens durante a primeira Guerra do Golfo Pérsico em 1991, se desculpou hoje por seu “estúpido” julgamento e a “tempestade” causoda pela entrevista.

A associação Jornalistas sem Fronteiras denunciou supostos abusos sofridos por alguns repórteres por parte da coalizão anglo-americanos e pediu uma investigação interna sobre as detenções e interrogatórios arbitrários destes profissionais.