Pentágono diz estar negociando rendição com generais iraquianos

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Publicado sexta-feira, 21 de março de 2003 as 00:17, por: cdb

Menos de 24 horas depois de ter iniciado ataques localizados contra instalações fortificadas em Bagdá onde poderiam estar Saddam Hussein e as figuras-chave de seu regime, fontes do Pentágono informaram nesta quinta-feira à noite que as forças americanas estavam conduzindo negociações secretas de rendição com oficiais iraquianos, inclusive comandantes da Guarda Republicana – a unidade de elite das forças armadas do Iraque.

A informação foi dada inicialmente pelo secretário Donald Rumsfeld, que exortou os soldados e oficiais iraquianos a não resistir e abandonar Saddam Hussein, dizendo que “os dias do regime estão contados”. Mais tarde, quando as primeiras forças terrestres já haviam entrado no Iraque, fontes do Pentágono insistiram nessa versão.

A possibilidade de um rápido colapso das forças iraquianas foi reforçada tanto pela ausência de maior resistência iraquiana ao avanço das forças americanas e inglesas que invadiram o país, a partir do Kuwait, como pela decisão do Pentágono de suspender temporariamente o ataque aéreo maciço que planejado para “chocar e pasmar” a defesa iraquiana.

O objetivo imediato seria dar algum tempo para os comandantes iraquianos se convencerem sobre a futilidade de lutar contra uma força infinitamente superior, apressar a queda do regime e facilitar o início a fase de ocupação, que promete ser mais complicada do que a guerra.

Remover Saddam Hussein do poder poupando o Iraque de tal bombardeio ajudaria Washington a responder pelo menos em parte ao clamor internacional provocado pela invasão do Iraque.

Os contatos entre as forças americanas e generais e outros altos oficiais iraquianos começaram há pelo menos três semanas e eram, inicialmente, parte de uma guerra de nervos iniciada para isolar Saddam Hussein. Os dois ataques contra alvos em Bagdá parecem ter sido calculados com esse mesmo objetivo.