Pedrinho tem encontro de uma hora e almoça com pais biológicos

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Publicado domingo, 10 de novembro de 2002 as 23:44, por: cdb

Após 16 anos e nove meses de espera, o casal Jayro Tapajós e Maria Auxiliadora Braule Pinto, de Brasília, encontrou pela primeira vez “Pedrinho”, o filho retirado no hospital 13 horas depois do nascimento, que se chama Osvaldo Martins Borges Júnior.

“É como se eu tivesse chegado ao hospital hoje para vê-lo”, comentou o pai. “Vai ser difícil chamá-lo de Osvaldo, mas a questão de nome é irrelevante. O importante é que achamos o nosso filho”, resumiu. O rapaz decidiu continuar morando em Goiânia, a 200 quilômetros de Brasília, onde foi criado.

O encontro, que reuniu as duas famílias, a biológica e a adotiva, durou cerca de quatro horas e culminou com um almoço em uma churrascaria em Goiânia. Havia cerca de 20 pessoas, inclusive irmãos adotivos e legítimos. Um microônibus levou os parentes de Brasília. A conta, de R$ 537, foi paga por Tapajós.

O encontro foi marcado por forte emoção dos pais biológicos. Minutos antes da despedida, a mãe legítima, Maria Aparecida Braule Pinto, teve uma crise de choro e saiu por alguns instantes da mesa.

O marido interpretou essa reação como provável sentimento de frustração por ver o filho praticamente adulto e sem poder levá-lo para casa.

Antes de irem à churrascaria, eles se encontraram na casa do advogado da família adotiva, Ezízio Barbosa. Da sacada da casa, onde também funciona o escritório do advogado, o jovem disse que permanecerá morando em Goiânia e que nada mudará em sua vida. Estava abraçado aos pais biológicos. A mãe adotiva, Vilma Martins Costa, estava ao lado de Jayro Tapajós.

Aparentemente assustado, ele respondeu a várias perguntas dos jornalistas com poucas palavras. Disse que os pais que acabara de conhecer pessoalmente “são gente boa demais” e que “está tudo acontecendo da forma mais simples possível”, referindo-se à aproximação.

Ainda na casa do advogado, Osvaldo Júnior ganhou dos pais uma imagem de Nossa Senhora da Aparecida, que ele levou para a churrascaria. “O milagre está realizado”, disse Jayro Tapajós. “Estou vendo o meu filho nascer agora”, acrescentou. Na última sexta-feira, o resultado de DNA confirmou a identidade de “Pedrinho”.

Ao final do almoço, Jayro Tapajós abraçou-o demoradamente e conversou com ele falando baixo, ao pé do ouvido. Depois disse a jornalistas que ele e a mulher haviam programado com ele outros encontros, provavelmente em Goiânia.

À saída, Maria Auxiliadora Pinto abraçou o filho e a mãe adotiva dele, Vilma Martins Costa, presente durante todo o encontro.

A polícia não descarta a hipótese de Vilma Costa ser a mulher que se apresentou como assistente social e levou o bebê do hospital Santa Lúcia, em janeiro de 1986. Ela tem dito que o marido trouxe o bebê de Brasília, dizendo que o havia recebido de um gari.

Todo o encontro foi acompanhado por três policiais de Brasília, que viajaram no mesmo microônibus que a família. Segundo a polícia, a identificação de Pedrinho foi possível graças a informações dadas por uma jovem de 19 anos, que teria suspeitado da adoção e cuja identidade é mantida em sigilo. O pai adotivo morreu há três semanas.