PDT e PPS ameaçam votar contra autonomia do BC

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Publicado sexta-feira, 7 de março de 2003 as 20:26, por: cdb

Não são apenas os integrantes da esquerda do PT que são contrários ao projeto de autonomia operacional do Banco Central, uma das prioridades do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Partidos da base aliada do governo, como o PDT e PPS, ameaçam votar contra a PEC (proposta de emenda constitucional), que altera o artigo 192 da Constituição e abre caminho para a autonomia operacional do BC. A proposta entrou na pauta de votação da Câmara da próxima semana.

“Somos contra [a autonomia do BC]. Essa proposta encontra resistência até em figuras respeitadas do PT. Não faz sentido o governo criticar o papel das agências reguladoras e depois querer dar autonomia operacional ao BC”, disse o presidente nacional do PPS, Roberto Freire.

O vice-presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que o partido também votará contra a proposta. Segundo ele, temas polêmicos como esse devem ser submetidos à base aliada antes de entrarem na pauta de votação do Congresso. “Queremos ser tratados como aliados e não é isso que estamos sentindo do governo. Ficamos sabendo de decisões importantes do governo pela mídia.”

Freire criticou a decisão de Lula de manter a proibição da produção de transgênicos. “Ele [Lula] não poderia ter tomado uma decisão dessa sem consultar a base aliada. Se o Brasil continuar nesse caminho, será subalterno do mundo.”

Lupi afirmou que o PDT continua apoiando o governo, mas que cobrará uma participação do partido na tomada de decisões sobre programas para o país. “Já pedimos mais de uma vez para participar da elaboração de políticas, mas continua tudo como antes. Não tem conversa com eles [governo].”

Para Freire, a falta de integração entre o Planalto e a base de apoio do governo reflete “a falta de prática no exercício do poder”. “Se houver essa integração, as relações entre o governo e a base aliada irão melhorar bastante.”

Segundo ele, se o PDT continuar a ser tratado dessa forma votará contra todos os projetos de interesse do governo, mas que contrariam a linha programática do partido. Além da autonomia operacional do BC, o PDT é contra a taxação dos servidores inativos.

O presidente do PPS até admite a possibilidade de cobrança dos inativos. Mas criticou a proposta para reforma de Previdência do governo. “Não se resolve o problema da Previdência com taxação de inativo. Precisa acabar com esse modelo de repartição e migrar para outro de capitalização, como propõe o PPS. Nós temos projetos”, disse ele, que no começo da semana criticou a falta de propostas do governo para os problemas estruturais do país.