Paulo Betti por trás das câmeras

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Publicado terça-feira, 30 de dezembro de 2003 as 07:48, por: cdb

Foi como realizar um sonho de infância. Aos 51 anos, com 28 de carreira, Paulo Betti estreou este ano como diretor de cinema à frente do longa Cafundó, sobre a vida de Nhô João de Camargo, figura mítica de Sorocaba, cidade onde nasceu.

– Penso em fazer esse filme desde que tinha 5 anos. É uma homenagem ao meu santo – conta.

Na produção, Lázaro Ramos interpreta Nhô João, ex-escravo que se perde em meio às mudanças da sociedade entre fins do século 19 e meados do século 20 e começa a acreditar que tem o poder de curar.

– O pano de fundo são as transformações de uma cidade que passa da economia rural para a industrialização. Tudo interfere na vida do personagem, que tenta se adaptar ao mundo dos brancos – adianta Paulo.


E abençoadas também foram as filmagens, segundo Paulo, que dividiu a direção com Clóvis Bueno – também roteirista do filme.

– Tínhamos 97 seqüências externas e nunca nenhuma opção de estúdio possível. Foi muito arriscado, mas tivemos tanta proteção divina que até a continuidade de chuva ou tempo nublado sempre estava à nossa disposição. Era só olhar para cima e pedir: ‘Fecha’. Pronto, nublava. Milagre de nosso Nhô João – acredita.

Dedicando-se à pós-produção da fita, ele espera que o filme estréie na metade do ano que vem.

– O mais difícil hoje é fazer com que o filme seja visto, pois a distribuição é a parte mais delicada. Nossas salas estão ocupadas pelo cinema americano e não temos espaço para exibir. É necessário muito dinheiro para lançar, fazer divulgação. É como se você não tivesse seu produto na gôndola do supermercado. Quem vai comprar?