Passeata pela paz deve reunir 50 mil pessoas em São Paulo

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Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 10:54, por: cdb

Entidades sindicais e de defesa dos Direitos Humanos prometem fazer manifestações caso os Estados Unidos iniciem a guerra contra o Iraque e, eventualmente, promover uma greve geral. Por enquanto, os esforços estão concentrados em evitar o conflito, com mais movimentos pela Paz marcados para este sábado, 15 de março.

“Se a guerra até agora não ocorreu é porque houve protestos e uma resistência enorme em muitos países”, afirmou João Felicio, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Nivaldo Santana, deputado federal e membro da direção nacional do PCdoB, concorda. “Não podemos considerar a guerra uma situação já definida. As marchas pela Paz ainda podem impedir o confronto”, opinou o deputado.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), João José Sady, considera a guerra um crime. “Nesse milênio as Nações ainda tentam resolver os conflitos pela força. É preciso abdicar do uso da força e da violência”, disse Sady “Os países não tem direito de promover uma guerra. Isso é um crime perante o Direito Internacional Público”, afirmou.

Marcha pela Paz

A Marcha pela Paz de sábado começará no Masp, na avenida Paulista, às 15h. Os manifestantes seguirão pela Paulista, descerão a avenida Brigadeiro Luiz Antonio (sentido Jardins) até o Parque Ibirapuera. No local, por volta das 17h, serão feitos um ato político, shows e atividades culturais.

A organização do movimento pretende reunir 50 mil pessoas. A divulgação é feita por panfletagem em locais de grande circulação de pessoas, como estações de metrô, através dos sindicatos e por e-mail.

Na última marcha, realizada em 15 de fevereiro, a internet foi usada para chamar os manifestantes. “Enviamos e-mails para os trabalhadores e eles repassaram para seus amigos e familiares. A rede mundial de computadores é importante, pois permite essa divulgação ampla”, afirmou o membro da Executiva Nacional da CUT.

Os protestos são promovidos pelo Comitê São Paulo Contra a Guerra ao Iraque, composto por mais de 100 entidades, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), as Pastorais Sociais da Cúria Metropolitana, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), PT, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), União Nacional dos Estudantes (UNE), Confederação Nacional dos Profissionais Liberais (CNPL), Central dos Movimentos Populares, PSTU, PCdoB e PMDB.

Manifestações semelhantes devem ocorrer em outras cidades do mundo.

Em caso de guerra

Caso seja deflagrada a guerra, o Comitê orienta que os manifestantes saiam às ruas e, em São Paulo, se concentrem sob o vão livre do Masp assim que forem lançadas as primeiras bombas contra Bagdá. “As centrais sindicais já se articularam e vai haver manifestações em todo mundo”, afirmou Felicio.

O presidente da CUT disse ainda que o movimento sindical europeu está pronto para iniciar uma greve geral se começar o bombardeio. “No Brasil ainda não pensamos nessa possibilidade, mas podemos discuti-la mais adiante”, afirmou.

Geógrafo da Universidade de São Paulo, Aziz Ab’Saber prevê que o conflito seja curto, mas teria impactos enormes. Segundo ele, para derrotar o país árabe os Estados Unidos teriam apenas que bombardear Bagdá. “É muito fácil acabar com o Iraque. O país é um grande deserto e tem uma cidade principal. É só destruir aquela concentração de pessoas”, disse.

As conseqüências, porém, não seriam tão simples. “Após a derrota do Iraque, mais nenhum país teria força para resistir aos EUA”, sentenciou. O geógrafo estuda as formações de colônias financeiras, colônias estratégicas e de enquadramento pelo país americano.

Ab’Saber comparou o presidente norte-americano, George W. Bush, ao ditador alemão Adolf Hitler. “Homens do tipo de Hitler e Bush não sabem prever impactos”, disse.

Na opinião do estudioso, o presidente dos EUA insiste em ter acesso ao petróleo, um recurso energético limitado, em vez de procurar outras fontes de energia. “Ele (Bush) é certame