Passeata em Auschwitz lembra o Levante de Varsóvia

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Publicado terça-feira, 29 de abril de 2003 as 13:15, por: cdb

Estudantes uniram-se na terça-feira na Polônia a sobreviventes do Holocausto vindos de todo o mundo para lembrar os judeus mortos no campo de concentração de Auschwitz e para celebrar o levante no Gueto de Varsóvia contra a dominação nazista, ocorrido 60 anos atrás.

Os presidentes de Israel, Moshe Katzav, e da Polônia, Aleksander Kwasniewski, encabeçaram uma passeata com cerca de 3.000 pessoas que atravessou os portões de Auschwitz, onde se lê a famosa inscrição
“Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta). A passeata também entrou no campo vizinho de Birkenau.

– Com o sol, os pássaros cantando e o céu azul, fica difícil imaginar os crimes abomináveis cometidos aqui – disse Avishai Nalka, 16, uma estudante de Ashdod, de Israel.

– Só tinha visto esse lugar em filmes branco-e-preto. Agora o vejo em cores.

Mais de 1 milhão de pessoas, em sua maioria judeus, morreram nas câmeras de gás ou devido a doenças e à fome em Aschwitz, nome alemão para Oswiecim, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No total, 6 milhões de judeus foram mortos durante o Holocausto nazista. A comunidade judaica na Polônia, de 3,5 milhões de pessoas antes da guerra, foi reduzida a 300 mil.

Organizadores da passeata, um dos eventos do Dia da Lembrança do Holocausto, disseram haver menos participantes neste ano do que nos eventos anteriores devido ao clima de insegurança alimentado pela guerra no Iraque.

A passeata também lembrou os 60 anos do levante do Gueto de Varsóvia, que se tornou um símbolo da resistência judaica contra a dominação da Alemanha nazista.

No dia 19 de abril de 1943, combatentes judeus lançaram uma última tentativa de resistência às forças invasoras alemãs a fim de resistir às deportações para os campos de concentração.

Norman Frejman, 72 anos, participou da passeata. Ele sobreviveu à deportação para o campo de Majdanek e ao trabalho escravo na Alemanha.

– Deus quis que eu sobrevivesse: toda a minha família morreu no Gueto de Varsóvia ou nos campos. Estou ficando velho, então tinha que vir até aqui para ver isso mais uma vez. Este é um terreno sagrado, porque as cinzas de judeus estão espalhadas por aqui – afirmou.

O Dia do Holocausto ocorre todos os anos em uma data diferente porque está ligado ao 27o dia do mês hebreu de Nisan, quando a revolta começou.

Em Israel, sirenes paralisaram o país por dois minutos e bandeiras foram hasteadas a meio-mastro.