Parreira volta à seleção contra a seleção surpresa do Mundial

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Publicado terça-feira, 11 de fevereiro de 2003 as 20:29, por: cdb

Muito mais tranquila e recebendo uma pressão incomparavelmente menor do que a sofrida nos últimos cinco anos, a seleção brasileira fará seu primeiro jogo em 2003 do outro lado do mundo, na China. O amistoso contra a seleção local será disputado às 9h45 (horário de Brasília) desta quarta-feira, na cidade de Guangzhou.

Nesta terça, o time de Carlos Alberto Parreira realizou seu primeiro e único treino para o jogo. Em campo e fora dele, o grupo de jogadores mostrou-se extremamente relaxado, alegre e solícito. Nada de estresse.

“Para mim, o mais importante foi ter encontrado um grupo feliz por estar aqui, apesar da longa viagem e do cansaço. Eu sinto que todos estão felizes e orgulhosos, isso é o mais importante”, comentou o sempre comedido Parreira.

Após a conquista do penta, também em continente asiático, o Brasil fez dois jogos sem compromissos com a vitória: em agosto, comemorou o penta em Fortaleza, com Luiz Felipe Scolari e o mesmo elenco, sendo derrotado pelo Paraguai; em dezembro, foi a vez de Mario Jorge Lobo Zagallo comandar o time na vitória sobre a Coréia do Sul, em Seul.

Seria o jogo de despedida de Zagallo, em uma homenagem ao único tetracampeão da história do futebol. Mas o Velho Lobo acabou voltando à seleção ao lado de Parreira, em uma reedição da dupla que comandou o Brasil na campanha do tetra, em 94.

Naquela época, Parreira e Zagallo sofriam uma pressão diária e quase desumana. Afinal, o Brasil não ganhava uma Copa havia 24 anos e tinha feito uma campanha instável nas eliminatórias. Hoje, a coisa está diferente. A seleção chegou a três finais seguidas, ganhou duas, e os jogadores respiram um ambiente de tranquilidade não visto há pelo menos cinco anos.

“O Parreira de hoje é o mesmo Parreira de antes, mas mais experiente. A seleção hoje está mais tranquila em geral, isso dá tranquilidade pro treinador trabalhar”, contou o capitão Cafu.

“Na vida e no futebol é difícil comparar épocas. Em 94, foi muito especial, o Brasil não ganhava havia 24 anos, a pressão era enorme. Hoje eu não diria que (o grupo) está relaxado, descansado, mas o ambiente é muito mais light, mais leve. Não existe aquela pressão de 94”, resumiu Parreira, no campo, após o seu primeiro treino com a seleção.

“Isso não significa que os jogadores hoje sejam menos responsáveis, é a auto-confiança necessária de quem é vencedor. O que atrapalha é ser perdedor, viver sob pressão. Se o cara está de bem com a vida, só ajuda.”

O técnico sabe melhor do que ninguém, porém, que a cobrança virá e a lua-de-mel pode acabar, especialmente se os resultados não corresponderem. “Quem está aqui, sabe que o resultado é sempre fundamental. Mas estamos preocupados em formar um time, isso que é importante”, disse.

O meia Rivaldo, um dos jogadores mais criticados da seleção antes de brilhar no penta, acha que a tranquilidade só continuará se a seleção ganhar seus jogos, a começar pelo amistoso contra a China.

“Neste momento, são poucos jogos amistosos, então a pressão é pouca. Mas quando começarem as competições, a pressão vai aumentar, temos sempre que jogar bem para conseguir a vitória, senão a pressão vai continuar do jeito que era antes”, declarou o atacante.

Duelo no escuro
Além do clima mais tranquilo, a seleção de Parreira tem poucas mudanças em relação ao time campeão com Scolari. Sete titulares seguem no time, e as modificações acontecem na defesa e no esquema tático.

Dida entra no lugar de Marcos, no gol. Lúcio, Edmílson e Roque Júnior, machucados, desfalcam a zaga. Jogarão Anderson Polga e o jovem Luizão, do Cruzeiro. Em vez de seguir usando três zagueiros, Parreira mudou o esquema para um 4-4-2, com a entrada de Zé Roberto no meio.

Des resto, é tudo igual: Cafu e Roberto Carlos nas laterais; Gilberto Silva e Kleberson no meio; e os “três erres”, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho, na frente.

Já a China terá em campo um time diferente do que levou 4 a 0 do Brasil na Copa. Daquela partida, apenas quatro titulares deverão j