Parlamento grego perdoa multinacional alemã

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 6 de abril de 2012 as 05:28, por: cdb

Nova Democracia e Pasok aprovam acordo que perdoa Siemens das consequências de um escândalo de corrupção e suborno praticado pela empresa para garantir contratos em 2004.Artigo |6 Abril, 2012 – 12:24Empresa também está envolvida em escândalos de suborno na Argentina

O Parlamento grego aprovou quinta-feira, com os votos da Nova Democracia e do Pasok – a coligação que sustenta o governo de Lucas Papademos – um acordo com a multinacional alemã Siemens. A empresa comprovadamente subornou funcionários e ministros do governo grego para garantir contratos relacionados com os Jogos Olímpicos de Atenas de 2004. Uma investigação parlamentar concluiu que 15 ministros do Pasok e da ND receberam suborno, mas apenas dois admitiram o envolvimento no escândalo e nenhum foi processado.

Já o ex-gerente da empresa na Grécia, Michalis Christoforakos, fugiu para a Alemanha, onde pagou uma multa de 459 mil euros e foi condenado a uma pena suspensa de 9 meses de cadeia. A Alemanha recusou-se a extraditar o ex-gerente para a Grécia, a pedido de Atenas.

Pelo acordo agora aprovado, o governo grego desiste de todas as queixas legais contra a Siemens, em troca de uma compensação por parte da empresa através de vários pagamentos e investimentos. A Siemens comprometeu-se a pagar 80 milhões de euros ao governo, 90 milhões em programas de formação e a investir 100 milhões na sua sucursal grega. Também deixou em aberto a possibilidade de investir 70 milhões numa nova fábrica.

O Partido Comunista, a Syriza, a Esquerda Democrática, a Aliança Democrática, os Gregos Independentes e o LAOS votaram contra o acordo.

Não é este o único caso de corrupção que envolve a multinacional alemã. Em dezembro do ano passado, as autoridades norte-americanas acusaram um grupo de executivos da Siemens de pagar mais de cem milhões de dólares de subornos para garantir um lucrativo contrato na Argentina.

Artigos relacionados: Europa força Grécia a comprar armas