Parlamento alemão bloqueia reformas de Schröder

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Publicado sexta-feira, 7 de novembro de 2003 as 15:30, por: cdb

O ambicioso pacote de reformas da Alemanha, que têm o objetivo de estimular a economia, chegou a um impasse.

A câmara alta do Parlamento alemão, controlada pela oposição, bloqueou temporariamente a proposta de mudança da legislação trabalhista.

Também havia a expectativa de que seria bloqueada a proposta de cortes de impostos, numa tentativa da oposição de forçar o governo a fazer mudanças.

A câmara alta do Parlamento decidiu criar um comitê de mediação para tratar dos planos de corte de benefícios para os desempregados por prazo longo e da criação de uma rede de centros de empregos.

Futuro político

Sem sinais de recuperação efetiva do crescimento econômico e com elevado desemprego, muitos políticos estão com receio de cortar benefícios e reduzir receitas públicas.

O chanceler Gerhard Schröder apostou sua sobrevivência política no sucesso do que chama de Agenda 2010 de reformas.

As medidas bloqueadas são a parte central das reformas trabalhistas que Schröder quer implantar para tirar a Alemanha de três anos de estagnação.

O ministro da Economia, Wolfgang Clement, disse esperar que se chegasse a um acordo sobre todos os aspectos da Agenda 2010, incluindo o corte de impostos, o mais rapidamente possível.

Segundo ele, isso é necessário para apoiar os sinais de recuperação da economia alemã.

Os conservadores se opõem à proposta de cortar impostos e aumentar o endividamento do governo em 5 bilhões de euros (cerca de R$ 15 bilhões).

A economia alemão é a maior da Europa e a terceira do mundo.

Manobra

O apoio ao Partido Social-Democrata de Schröder vem caindo nas pesquisas de opinião desde março, quando ele anunciou as propostas de cortes no Estado do Bem Estar Social alemão.

Nesta semana, depois que o Parlamento aprovou o congelamento de aposentadorias, o apoio ao partido caiu a um recorde de apenas 23% dos entrevistados.

Os conservadores esperam forçar Schröder a fazer concessões que o afastem ainda mais da esquerda do seu partido e de tradicionais aliados sindicais.

Ele já ameaçou renunciar várias vezes para conter a rebelião da esquerda, que considera as reformas trabalhistas como uma traição às origens socialistas do partido.