Parlamentares tentam consolidar aliança entre o PT e o PMDB

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Publicado quarta-feira, 21 de outubro de 2009 as 11:39, por: cdb

Fechada a aliança entre PT e PMDB, líderes dos dois partidos iniciam, a partir desta quarta-feira, uma série de encontros para delinear o escopo da campanha eleitoral para o ano que vem. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, caso venha a consolidar sua candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, irá administrar o maior tempo de TV disponível no horário concedido pela Justiça Eleitoral no rádio e na TV.

O PMDB, como a principal legenda do país, com o maior número de prefeitos e congressistas, concentra mais espaço no horário eleitoral gratuito, com 16% do tempo disponível. O PT teria 15% e o PSDB, 13%, caso os candidatos sejam em número de sete, com Dilma, o governador José Serra (PSDB-SP), a senadora Marina Silva (PV-AC), o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e mais três de partidos pequenos. Embora o acordo preveja o apoio integral do PMDB ao candidato petista, uma ala dissidente da legenda apoia Serra e há resistências regionais à aliança.

Jantar

Na noite passada, os principais líderes do PT e do PMDB participaram de um jantar com o presidente Lula, entre eles Dilma e Berzoini, os ministros da Justiça, Tarso Genro, do Planejamento, Paulo Bernardo, do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, além de parlamentares do partido. Os convidados peemedebistas foram, além do presidente licenciado da legenda e presidente da Câmara, Michel Temer, os ministros das Comunicações, Hélio Costa, da Defesa, Nelson Jobim, da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, líderes e parlamentares, entre eles o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL).

O jantar, realizado no Palácio da Alvorada, acertou que o PT ficará com a cabeça da chapa, provavelmente com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o PMDB, com a vice. Após o encontro, no início da madrugada desta quarta-feira, integrantes dos dois partidos preferiram falar em pré-acordo, que somente será sacramentado após as convenções partidárias, ao longo do ano que vem.

Visto como um dos mais cotados a assumir a vaga de vice-presidente, o presidente licenciado do PMDB, Michel Temer (SP), desconversou em relação a sua indicação de candidato à vice e disse que o nome sairá das convenções dos partidos.

– O nome será fruto das circunstâncias políticas a serem definidas no ano que vem – argumentou, acrescentando que é preciso ouvir, primeiramente, as representações estaduais dos partidos.

Temer avaliou que “seria mais útil” uma coalização dos vários partidos que compõem atualmente a base de apoio ao governo Lula.

– Seria útil que se tivesse um bloco com uma candidatura e mais um bloco com outra. Seria útil para os costumes políticos do país – afirmou.

Apesar de dizer que a posição definitiva em relação a aliança para as eleições presidenciais de 2010 só será anunciada depois das conversas com as representações dos partidos nos estados, Temer descartou a possibilidade de que a união entre PT e PMDB não ocorra.

– Não acredito (que o acordo não será oficializado), mas, evidentemente, temos que prestar atenção às questões regionais – afirmou.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, afirmou que a aliança representa “o acúmulo político desse três últimos anos de governo do presidente Lula com uma coalização mais consistente e programática”. Segundo ele, a ideia é ter o PT e o PMDB como cabeça de chapa, mas agregando os diversos partidos que hoje apoiam o governo.