Parlamentares não poderão acompanhar as investigação do grampo

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Publicado sábado, 22 de fevereiro de 2003 as 18:27, por: cdb

Uma decisão neste sábado da Justiça da Bahia proibiu parlamentares baianos e os três senadores do Conselho de Ética do Senado de acompanhar o inquérito da Polícia Federal sobre o grampo telefônico ilegal efetuado pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia.

O juiz da 17ª Vara Federal de Salvador, Osvaldo Scarpa, acatou pedido do procurador da República na Bahia, Edson Abdon, determinando que nenhuma outra pessoa “que não seja do Ministério Público ou da Polícia Federal” terá acesso ao inquérito.

“Essa investigação é policial e não política”, afirmou o procurador. “A presença de pessoas estranhas ao inquérito, incluindo parlamentares estaduais e federais, inibe as testemunhas e a possibilidade de vazamento de informações se torna maior”, acrescentou.

O procurador Edson Abdon disse também que pretende requisitar à revista IstoÉ as supostas fitas nas quais, segundo a revista, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) confessa ter grampeado os telefones do deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), uma das dezenas de vítimas do grampo da Secretaria de Segurança Pública da Bahia.

“A sociedade tem direito de saber das coisas, mas algumas medidas prejudicam o andamento das investigações”, afirmou Abdon.

Ex-amante

A Polícia Federal deve ouvir na noite deste sábado o depoimento da advogada Adriana Barreto, ex-amante de ACM, e também vítima do “grampo baiano”. A expectativa da PF é que ela e seu marido, Plácido Faria, possam fornecer provas concretas contra o senador Antônio Carlos Magalhães, principal suspeito de ser o mandante do grampo.

O casal prometeu entregar documentos e nomes de pessoas que comprovariam que os dois tiveram seus telefones grampeados a mando do senador. Na tarde deste sábado, eles foram orientados pelo advogado Aristides Junqueira. Adriana e o marido passaram a maior parte do dia trancados em um flat em Brasília, onde chegaram na sexta-feira.

Eles se reuniram também com o subprocurador geral da República, José Roberto Santoro, e o procurador Ronaldo Albo, quando repetiram a mesma versão dada à imprensa: ACM manteve monitoramento constante sobre eles, principalmente depois que Adriana terminou a relação com o senador e assumiu o namoro com Plácido.

Senado

Ao deixar a Granja do Torto, ao final da reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os governadores, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), classificou como “grave” a reportagem da revista IstoÉ deste fim de semana, que sustenta “a confissão” de ACM.

“São novos indícios graves. Provas testemunhais que associam o grampo ao senador Antônio Carlos Magalhães”, comentou o líder, negando que o assunto tenha sido discutido na reunião do Torto.

Mercadante considerou, no entanto, desnecessária a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Ele argumentou que a investigação do grampo deverá ser concluída pela PF na próxima semana. Segundo ele, o Senado espera a conclusão das investigações para tomar uma nova decisão.

“As revelações são muito graves e o Senado não vai se omitir em um quadro como esse”, disse o senador.