Parentes procuram por notícias das vítimas de atentado em Bali

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Publicado segunda-feira, 14 de outubro de 2002 as 12:21, por: cdb

Parentes e amigos buscavam na manhã desta segunda-feira por notícias sobre as vítimas dos atentados ocorridos na ilha de Bali, que mataram pelo menos 189 pessoas na madrugada deste domingo, a maioria jovens turistas ocidentais que frequentavam as discotecas do local.

O ataque, o mais grave desde 11 de setembro de 2001, desperta a suspeita de que a rede Al Qaeda possa estar se reagrupando e planejando novos atentados, após ser expulsa do Afeganistão pela ação militar dos Estados Unidos.

Vários países do Ocidente e da Ásia cobraram da Indonésia medidas firmes contra o radicalismo islâmico no país. Muitos indonésios se mostraram atônitos com os atentados na “Ilha dos Deuses”, um enclave hindu na maior nação muçulmana do mundo, até agora livre da violência que se seguiu à queda do ditador Suharto, há cinco anos. “A inocência perdida”, foi a manchete do jornal “Jakarta Post”.

O pesadelo começou na noite de sábado, com a explosão de um carro-bomba em frente à boate Sari, na praia de Kuta. A Austrália enviou aviões Hercules C-130 para resgatar feridos e queimados – cerca de 200 deles já chegaram à localidade de Darwin, no extremo norte australiano.

O sol, as areias brancas e as ondas fazem de Kuta um destino muito popular entre jovens australianos, que passam as noites em bares e discotecas. Para tentar identificar as vítimas, pequenos grupos de amigos e parentes voaram para Bali pela manhã e foram direto para os necrotérios.

Silenciosamente, eles foram levados para uma sala do hospital Sanglah, onde viram fotos dos corpos. “Achamos que a chance de encontrá-lo são muito, muito baixas”, disse o holandês Paul Goulmy, procurando um amigo.

Turistas assustados

Feridos ou amedrontados, centenas de turistas correram para o aeroporto para tentar deixar a ilha. Pelo menos um australiano morreu no vôo para sua cidade, o que eleva o saldo de vítimas fatais do país para 15, com 220 desaparecidos.

A lista de vítimas também tem cidadãos dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Coréia do Sul, Singapura, Equador e Suécia.

Os Estados Unidos determinaram que todos os funcionários não-essenciais e seus parentes, 300 pessoas ao todo, deixem a Indonésia.

As autoridades ainda não divulgaram uma lista de suspeitos. “Ainda estamos desenvolvendo a investigação a partir de toda a informação que recebemos”, disse o chefe nacional de polícia, Da’i Bachtiar.

Mas os diplomatas estão acompanhando com atenção a movimentação dos militantes do Jemaah Islamiyah [grupo extremista islâmico que mantém ligações em outros países do Sudeste Asiático e relações com a rede terrorista Al Qaeda, liderada por Osama bin Laden]. O rosto mais visível dessa entidade, o clérigo Abu Bakar Bashir, dirige uma escola religiosa no centro da ilha de Java.

Ontem, Bashir acusou os Estados Unidos pelos ataques. “Seria impossível para os indonésios fazer isso. Os indonésios não têm explosivos tão poderosos”, afirmou ele numa entrevista coletiva.

Os ataques devem devastar a indústria turística de Bali, que constitui a principal atividade da ilha. Também há o temor de que os investidores estrangeiros deixem a Indonésia. “Estamos acabados”, disse Aburizal Bakrie, presidente da Câmara de Comércio e Indústria do país. “Nosso argumento de que é seguro fazer negócios aqui terminou. Até os investidores locais vão pensar mil vezes antes”.