Para remover famílias de áreas de risco, Campinas quer R$ 10 milhões

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Publicado terça-feira, 18 de fevereiro de 2003 as 22:31, por: cdb

A prefeita de Campinas (95 km a noroeste de SP), Izalene Tiene (PT), quer R$ 10 milhões para a remoção emergencial das famílias que moram nas áreas de risco. A chuva desta segunda-feira alagou ruas, deixou desabrigados e provocou quatro mortes.

Foram encaminhados dois pedidos – de R$ 5 milhões cada – ao governo do Estado e ao Ministério das Cidades. Segundo a prefeitura, os ofícios foram encaminhados por fax, na tarde desta terça.

“O município não tem condições financeiras para arcar sozinho com esta remoção”, disse a prefeita.

As famílias estão abrigadas provisoriamente em seis escolas e centros comunitários.

Izalene também solicitou ao governo do Estado ajuda material para as famílias. Foram pedidos 300 colchonetes e 300 cobertores, além de material para limpeza, lonas e produtos de higiene pessoal.

A administração municipal contabiliza 683 pessoas desabrigadas. As chuvas inundaram 1.850 casas.

As áreas mais atingidas foram rua Moscou, Jardim Paraíso de Viracopos, Parque Imperador, Jardim Melina e Jardim Tamoio.

Dados do Cepagri (Centro de Pesquisas em Agricultura) da Unicamp indicam que o índice de chuvas desta segunda-feira, de 113,2 milímetros, é o maior registrado no mês de fevereiro desde de 1926, de acordo com a prefeitura.

Vítimas

Chega a cinco o número de mortos na região de Campinas por causa da chuva.

O corpo de um morador de Valinhos (85 km a noroeste de São Paulo) foi localizado na manhã de hoje no ribeirão Pinheiros, de acordo com o Corpo de Bombeiros.

Três das quatro mortes registradas em Campinas ocorreram no bairro Parque Imperador. A Guarda Municipal localizou três corpos de vítimas de afogamento em uma casa.

No Jardim Tamoio, periferia da cidade, uma mulher não identificada foi sugada por uma tubulação de esgoto e morreu.

O sargento do Corpo de Bombeiros Doacir Assis, sofreu parada cardiorrespiratória depois de ajudar a salvar uma vítima e está internado na UTI do Hospital de Clínicas, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em estado grave.

Estragos

A chuva prejudicou o abastecimento de água e deixou alunos da rede municipal sem aula.

Pelo menos 24 escolas e creches da rede foram atingidas pelas fortes chuvas desta segunda-feira, de acordo com a prefeitura. As aulas foram suspensas hoje por problemas de inundação e acúmulo de lama.

Em três unidades a situação foi mais grave, exigindo a retirada das crianças.

Apesar dos danos materiais, estudantes não ficaram feridos. As escolas e creches passam por limpeza e manutenção.

A chuva também provocou danos à estrutura de abastecimento de água da cidade.