Para Palocci, só é pessimista com a economia quem quer

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Publicado quinta-feira, 27 de novembro de 2003 as 21:14, por: cdb

O ano de 2003 foi “duro”, mas o país tem agora uma “oportunidade histórica de crescimento de longo prazo”, com inflação sob controle e contas externas saudáveis, afirmou o ministro da Fazenda, Antonio Palocci nesta quinta-feira, um dia após a divulgação de números desanimadores do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

“Hoje, olhando para a frente, vemos inflação controlada, dívida equilibrada, conta corrente com um desempenho extraordinário e início da retomada do crescimento”, afirmou Palocci em entrevista à imprensa após almoço na Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Olhando dessa forma, só é pessimista quem quer ser.”

Na quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que no terceiro trimestre do ano o PIB cresceu 0,4 por cento em relação ao período anterior, bem abaixo das estimativas de analistas, que apostavam em uma alta em torno de 1,5 por cento. Na comparação com o mesmo período de 2002, houve contração de 1,5 por cento.

Com esse resultado, economistas avaliam que o PIB poderá fechar o primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva com crescimento zero, ou mesmo desempenho negativo. Para que a projeção do Ministério da Fazenda de alta de 0,4 por cento seja cumprida, a economia terá de crescer 2,3 por cento no último trimestre.

Sobre a perspectiva de um desempenho modesto em 2003, Palocci afirmou que “a distância entre a vontade e a realidade é (explicada pelas) as duras medidas que foram necessárias este ano.”

Para o ministro, os frutos do duro ajuste fiscal que o governo foi obrigado a fazer este ano para conter a inflação já estão sendo colhidos, com preços sob controle e juros futuros em queda.

Ele ressaltou ainda que, apesar de a alta do PIB do terceiro trimestre ter ficado abaixo do esperado, os dados divulgados pelo IBGE deixam espaço para otimismo.
“O mais importante é ver que o investimento está crescendo, a atividade industrial está crescendo e a renda começa a recuperar. Essas são os elementos que permitem uma avaliação de que o crescimento vem.”

A atividade industrial cresceu 2,7 por cento no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior, após seis meses de queda. A formação bruta de capital fixo teve um incremento de 2,8 por cento na mesma comparação, segundo o IBGE.

Com a estabilidade macroeconômica conquistada, Palocci afirmou que o governo se concentrará agora em uma “complexa” agenda microeconômica. Entre as prioridades, ele destacou a política industrial e medidas que estimulem uma redução dos spreads bancários.