Para FMI, risco de deflação mundial é pequeno

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Publicado segunda-feira, 19 de maio de 2003 as 09:52, por: cdb

O FMI (Fundo Monetário Internacional) considera pequeno o risco de deflação global, mas alerta que a Alemanha é o país desenvolvido com maior chance de entrar num período de deflação, que já atinge o Japão.

Já ministros das Finanças de países do G-7, que se reuniram no sábado em Deauville, na França, buscaram minimizar a ameaça. O comunicado final da reunião não mencionou nenhuma medida de curto prazo para afastar o temor de recessão na Europa, apesar da pressão dos EUA para estímulos ao crescimento da região.

O estudo do FMI sobre deflação, divulgado domingo em Washington, mobilizou economistas de diversos departamentos do Fundo, supervisionados pelo economista-chefe Kenneth Rogoff. Além do risco de deflação alemã, o Japão poderá enfrentar aprofundamento das taxas atuais, que poderão subir para mais de 2%.

Uma deflação na Alemanha poderia se espalhar para outros países europeus por meio do sistema financeiro, especialmente para Bélgica, Finlândia, Noruega, Portugal, Suécia e Suíça.

O documento foi fechado em março, antes da confirmação, na última sexta-feira, de deflação nos EUA, com queda de 0,3% dos preços ao consumidor em abril, e do agravamento da deflação no Japão.

O estudo previa que só haveria uma leve deflação nos EUA se a taxa de desemprego atingisse 8%. A taxa ficou em 6% em abril, mas mesmo assim os preços ao consumidor caíram. Segundo o FMI, a deflação só persistirá nos EUA se a taxa de desemprego superar 10%.

Sobre a economia alemã, o FMI lembra que as condições de crédito e renda vêm se deteriorando desde 2001, assim como o mercado de trabalho. Os preços dos imóveis estão caindo, e as bolsas perderam mais na Alemanha que em outros países. A situação é agravada pelo sistema bancário, que está passando pelo período mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial.

– A probabilidade de deflação Alemanha ao longo do próximo ano é considerável – afirma o FMI, notando que há pouquíssimo espaço de manobra para a política fiscal (o déficit fiscal terá que ser reduzido este ano para 3%, ajustando-se às normas do euro).

O FMI lembra que o BCE (Banco Central Europeu) ainda está preocupado com preços em outros países da região para reduzir juros agora e que o pacto da moeda única européia não permite aumento do déficit fiscal, ainda que temporário.

Sobre a situação nos EUA, o FMI diz que vários choques afetaram o consumo no último ano, como escândalos contábeis, queda nas bolsas, ataques terroristas de 11 de setembro e a guerra do Iraque. O crédito está 7,5% acima do nível de março de 2002, e a situação do sistema bancário é ” relativamente saudável “.

O fundo lembra que o Federal Reserve (BC americano) tem expressado preocupação com o risco de deflação e adotado uma política monetária agressiva (as taxas de juros estão no menor nível em mais de 40 anos), além de ressaltar a política fiscal expansionista do governo Bush. Mas há preocupação com excesso de capacidade instalada em diversos setores.

Citando os efeitos de períodos catastróficos de deflação, como a Grande Depressão dos anos 30, o FMI lista possíveis conseqüências da redução persistente de preços. Uma das principais é o corte de linhas de crédito pelos bancos, que não conseguem recuperar o dinheiro emprestado pois as garantias do crédito (imóveis ou outros ativos) caem abaixo do valor do principal. Essa é uma das razões da crise do sistema bancário japonês.

Pouco antes da divulgação do estudo, o secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, pedia na França ação mais enérgica da Europa para recuperar o crescimento.

– Temos que fazer mais para assegurar uma recuperação robusta.

Apesar da crescente pressão para redução dos juros na Europa, a reunião dos ministros das Finanças do G-7 terminou com uma declaração em favor de reformas estruturais e não de soluções de curto prazo para evitar o risco de recessão em diversas economias.

O comunicado dos ministros não tocou em mercados de câmbio nem mencionou a queda do dólar, qu