Para EUA, Al-Qaeda quer derrubar realeza saudita

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Publicado segunda-feira, 10 de novembro de 2003 as 09:29, por: cdb

A rede terrorista Al-Qaeda está sendo acusada pelos EUA de querer derrubar do poder o governo pró-Ocidente da Arábia Saudita e sua família real. “Está bastante claro para mim que a Al-Qaeda quer derrubar a família real e o governo saudita”, disse o vice-secretário de Estado dos EUA, Richard Armitage, à TV Al-Arabiya.

A declaração foi feita um dia depois que um ataque da organização comandada por Osama Bin Laden matou pelo menos 17 pessoas e deixou mais de 120 feridas em Riad, capital do país. Os meios de comunicação sauditas disseram hoje que a explosão havia levado o combate contra o terrorismo a um nível sem precedentes, ameaçando a estabilidade e a economia do país. Armitage, que chegou a Riad ontem, afirmou que este não será o único nem o último. “Acho que esses terroristas prefeririam realizar várias ações como essa.”

Os simpatizantes de Osama Bin Laden, nascido na Arábia Saudita, e a rede Al-Qaeda ameaçaram atacar a realeza do país e os ocidentais. No mês passado, uma suposta gravação de Bin Laden prometia ataques contra alvos norte-americanos. Em maio, atentados coordenados realizados em um outro condomínio de Riad deixaram 35 mortos, entre os quais 9 norte-americanos.

Posição saudita

Os dirigentes sauditas prometeram que os militantes responsáveis pelo atentado suicida do final de semana não conseguirão desestabilizá-lo e prometeu prender os responsáveis pelo ataque. “O ataque é um sinal de desespero e não um sinal de que alguém terá sucesso em desestabilizar o equilíbrio social ou a estrutura política do país”, ressaltou o embaixador da Arábia Saudita na Grã-Bretanha, príncipe Turki Al-Faisal.

Segundo o ex-chefe dos serviços sauditas de inteligência, o reinado obteve importantes sucessos na luta contra os militantes nos últimos seis meses. “Houve várias prisões, muitas armas, munições e explosivos foram descobertos”, afirmou.

Os supostos integrantes da Al-Qaeda fingindo ser policiais explodiram um carro-bomba no condomínio de Muhaya. No local moram em sua maioria estrangeiros de origem árabe. Além dos mortos, a ação deixou 120 feridos, entre os quais 36 crianças.