Para estudantes de Piraí, computador é tão comum quanto caderno e livro

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Publicado terça-feira, 2 de março de 2010 as 10:52, por: cdb

O convívio dos estudantes da cidade de Piraí, no sul fluminense, com laptops conectados à internet tornou o mundo digital corriqueiro para as crianças. No vocabulário dos alunos, palavras que antes eram desconhecidas, como web e download, passaram a ser usuais. A relação dos estudantes com o ensino também mudou profundamente. Em períodos sem aula, muitos começaram a sentir falta da escola.

– Nessas férias teve o carnaval. Eu pulei carnaval, mas fiquei em casa sem graça porque eu queria vir para a escola. Quando começaram as aulas eu fiquei feliz –, conta a estudante Ana Alice, de 11 anos, que estuda na Escola Rosa da Conceição Guedes.

Alice não tinha computador e muito menos internet em casa. Há cerca de dois anos, na 3ª série, ela começou a usar os equipamentos digitais na escola. Hoje, desinibida, aprova as mudanças e mostra, com muita agilidade, como usar o laptop estudantil, com o sistema operacional Linux (de código aberto).

Ela destaca que as suas notas melhoraram e que o computador facilitou muito as pesquisas necessárias para os trabalhos. Ana Alice conta, no entanto, que os jogos e as redes sociais na internet são suas atividades prediletas.

– Quando eu entro na internet, gosto de jogo de matemática. Eu gosto de mexer no Orkut também, mas às vezes não pode, daí eu não mexo, com medo de o professor brigar –, diz.

Percebendo as preferências dos alunos, os professores começaram a mudar também a maneira de ensinar.

– Uma professora de inglês, por exemplo, fez com que os alunos enviassem as respostas daquilo que ela estava trabalhando em sala para o Orkut dela –, relata a diretora da escola, Lea Maria Peixoto.

A professora de educação física Alexandra Fernandes Faria vê nos computadores com acesso à web a possibilidade de deixar de fazer, na maioria das vezes, apenas atividades esportivas com as crianças. Agora, a teoria pode ser explorada também.

– As coisas só melhoraram com os computadores. A gente não tinha livros da disciplina. É muito difícil uma escola que tem conteúdo de educação física nos livros. No nosso caso, são livros de regras, enciclopédias mais caras, que falam sobre nutrição, sobre a importância da atividade física, que a gente não tem, e nunca teve. Agora eu passo o site, e eles acessam –, explica.

Rodrigo Pinto da Silva, 13 anos, é um dos alunos monitores da escola. Além de usuário da rede, ele ensina os mais novos a lidar com as novidades digitais. Sabe até quais são as dúvidas mais comuns em cada uma das séries. Os mais novos têm mais dificuldades com os programas de edição, os mais velhos, com a internet.

Ele aprova totalmente a nova realidade na escola. A experiência com os computadores já faz o aluno vislumbrar uma profissão no ramo.

– Eu pretendo fazer programação, ou ser engenheiro. Já tento procurar [informações] sobre essas profissões na internet, tento desenvolver demonstrações, até para colocar na rede –, diz.

De acordo com a prefeitura, até o final do mês de março, todos os alunos da rede pública da cidade terão um laptop com conexão à internet.