Papel de Ray Charles pode render Oscar a Jamie Foxx

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Publicado terça-feira, 14 de setembro de 2004 as 13:46, por: cdb

Ele usou uma prótese durante um mês para imitar a cegueira, perdeu vários quilos, aprendeu a fazer movimentos de lábio para fingir que estava cantando e mergulhou fundo na música do ícone Ray Charles.

Os preparativos intensivos aos quais se submeteu Jamie Foxx para fazer o papel principal de “Ray”, exibido no 29o. Festival Internacional de Cinema de Toronto no domingo, ajudaram a provocar especulações sobre um possível Oscar para o ator de 36 anos, que está vivendo o melhor ano de sua carreira até agora.

“Foi questão de entrar nas nuanças de Ray Charles, não apenas representar o papel dele”, disse Foxx em coletiva de imprensa concedida no domingo.

O ator não quis simplesmente imitar Ray Charles, que superou a pobreza, a cegueira e a dependência de heroína para tornar-se um dos artistas mais amados dos Estados Unidos.

Foxx reagiu com alguma timidez às especulações quanto ao Oscar. “Eu as aceito porque elas chamam mais atenção para o filme”, comentou.

Mas elogios estão virando uma parte cada vez mais presente na trajetória de Foxx. No início do ano ele ganhou críticas calorosas para seu trabalho em “Colateral”, estrelado por Tom Cruise.

O ator ganhou fama com papéis cômicos no programa de variedade “In Living Color”. Em seguida, teve seu seriado próprio, com seu próprio nome, e atuou em “Um Domingo Qualquer”, de Oliver Stone.

A impressão que se tem é a de que Foxx devia ter ensaiado o papel de Ray Charles desde criança. O ator, que estudou música na universidade, disse que começou a ouvir clássicos de Ray Charles como “Georgia On My Mind” quando ainda era criança.

O diretor Taylor Hackford teve dificuldade em encontrar um estúdio disposto a produzir o filme biográfico, mas hoje não lamenta nada. “Se eu tivesse feito o filme 15 anos atrás, não teria sido estrelado por Jamie Foxx”, explicou. “Ainda bem que levei 15 anos para fazê-lo”.

“Ray” inclui gravações originais de canções de Ray Charles, mas não é uma homenagem apenas cor-de-rosa. O filme também mostra como o músico enfrentou a dependência de heroína, contra a qual lutou por 20 anos, casos de amor tempestuosos, a segregação racial e a morte acidental de seu irmão mais jovem.

Hackford relatou uma conversa que teve com Ray Charles enquanto o filme estava sendo feito. “Ele me disse: ‘Não sou anjo e não quero que me retratem como anjo. Basta dizer a verdade”‘, disse o diretor.

Ray Charles morreu em junho, de doença do fígado, aos 73 anos.

“Ray”, o filme, terá estréia comercial nos EUA em 29 de outubro.