Papa diz que não haverá paz enquanto perdurarem opressão e injustiças

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Publicado quarta-feira, 5 de março de 2003 as 15:06, por: cdb

O Papa João Paulo II disse nesta quarta-feira, durante o rito da imposição das cinzas, com o qual começa a Quaresma, que não haverá paz enquanto perdurarem a opressão dos povos, as injustiças e os desequilíbrios.

“Não haverá paz na Terra enquanto se mantiverem as opressões dos povos, as injustiças sociais e os desequilíbrios econômicos que ainda existem. Mas para as grandes mudanças estruturais não bastam iniciativas e intervenções externas, é preciso sobretudo converter os corações ao amor”, disse o Papa na homilia feita na Basílica de Santa Sabina, em Roma.

João Paulo II disse que o mundo precisa da paz e lembrou ter pedido que todos os fiéis fizessem hoje um dia de preces e jejum “diante das ameaças de guerra que perseguem ao mundo”.

“Em momentos difíceis, de desgraças ou de perigo, é necessário chamar os fiéis a uma mobilização penitencial”, afirmou o Pontífice.

Com as preces, os fiéis se colocam “totalmente” nas mãos de Deus, que é o “único de quem podemos esperar a autêntica paz”, disse João Paulo II.

Com o jejum – acrescentou – os corações se preparam para receber a paz, “dom por excelência”.

O Papa acrescentou que a prece e o jejum têm de ser acompanhados por “obras de justiça” e que a conversão do homem tem que ser traduzida em amparo e solidariedade.

Horas antes, no Vaticano, João Paulo II pediu que fosse evitado “outro dramático conflito para o mundo” (a guerra contra o Iraque), e pediu às partes envolvidas que se comprometam com esse objetivo e insistam no “diálogo” como arma para preservar a paz.

Ele expressou sua preocupação diante das “ameaçadoras tensões de guerra que agitam o mundo” e pediu que este dia se traduza em “gestos concretos” de reconciliação.

O Pontífice foi hoje, como todas as Quarta-feira de Cinzas, ao Monte Aventino, um dos sete de Roma, para presidir na Basílica de Santa Sabina o rito penitencial da bênção e da imposição das cinzas, com o qual começa a Quaresma.

O rito foi realizado entre as basílicas de San Anselmo e Santa Sabina. Até 1994, João Paulo II presidia o procissão que saia do primeiro templo e terminava no outro, ambos sob a custódia dos padres beneditinos.

Naquele ano, o Pontífice quebrou o fêmur da perna direita e desde então, para fazer menos esforço físico, ele espera em Santa Sabina a chegada do procissão, da qual participam cardeais, bispos, sacerdotes e muitos fiéis.

João Paulo II impôs as cinzas a alguns dos presentes e as recebeu do cardeal Jozef Tomko, arcipreste de Santa Sabina.

O Papa disse que o rito das cinzas pode causar estranhamento ao homem atual, por isso é necessário lembrar seu significado.

“Pondo as cinzas na cabeça dos fiéis, o sacerdote repete: ‘lembra que és pó e ao pó voltarás’. Voltar a ser pó é o que une homens e animais, mas o ser humano não é só carne, mas também espírito e se a carne tem como destino o pó, o espírito tem a imortalidade”, afirmou o Papa na homilia.

Por ocasião da Quaresma 2003, João Paulo II divulgou uma mensagem denunciando que o afã de lucro é a raiz de todas as doenças e que para combater esse apego exagerado ao dinheiro o tempo da quaresma propõe o jejum e a esmola.

O Pontífice disse que não só é preciso privar-se do supérfluo, mas também de “algo mais” e doá-lo aos outros.

Em sua mensagem, o Papa denunciou que a época atual é influenciada “infelizmente” por uma mentalidade egoísta e que tanto no ambiente social como nos meios de comunicação as pessoas são perseguidas por mensagens que, aberta ou disfarçadamente, exaltam a cultura efêmera e hedonista.

João Paulo II se retirará, no próximo domingo à tarde, para fazer exercícios espirituais no Vaticano, que se prolongarão até o sábado dia 15.