Palmeiras sofre, em casa, maior goleada de sua história: 7×2

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Publicado quinta-feira, 24 de abril de 2003 as 08:07, por: cdb

A noite desta quarta-feira foi uma das mais humilhantes – se não a mais – da história do Palmeiras. Depois de 27 dias sem jogar, o time voltou a campo pela Copa do Brasil e sofreu a maior goleada de todos os tempos no Palestra Itália em competições nacionais: 7 a 2 para o Vitória. Os jogadores saíram de campo envergonhados e os torcedores, inconformados, hostilizaram vários jogadores e principalmente o presidente Mustafá Contursi. Três palmeirenses invadiram o campo e se posicionaram à frente do vestiário. As ameaças obrigaram a Polícia Militar a reforçar a segurança.

O goleiro Marcos, titular da seleção brasileira e um dos grandes ídolos do clube, foi o retrato da equipe. Teve, seguramente, a pior atuação com a camisa alviverde. Falhou no primeiro gol, fez pênalti desnecessário, que resultou no segundo, e errou feio ao ‘furar’ a bola no sétimo. Arrasado, reconheceu os erros, mas deixou claro que não assumiria sozinho a culpa pelo fracasso. “Foi uma vergonha, as imagens mostraram tudo, fui um dos responsáveis pela derrota, falhei em três gols, mas nós tomamos 7”, desabafou. “Se ninguém me ajudar, também não vou ajudar ninguém, e, se ninguém correr, também não vou. Poderia ter tomado 8, 9, não estou preocupado com minha imagem, se não faria a barba…”

O resultado, que praticamente elimina o time da Copa do Brasil – terá de vencer o Vitória, na semana que vem, na Bahia, por 6 gols de diferença para reverter a situação -, deverá ter sérias conseqüências. O técnico Jair Picerni passa a ficar ameaçado e a pressão da oposição contra Mustafá vai aumentar. Os rivais do presidente vão insistir no pedido de impeachment. A torcida promete mais manifestações. No fim da noite, a PM teve de mandar um efetivo para a frente da Academia de Futebol. O Major Marinho, do 2º Batalhão de Choque, recebeu denúncia de que torcedores ameaçavam incendiar o local.

Muita gente deixou o estádio no intervalo. Outros só ficaram para vaiar o time. Em 2001, o Palmeiras sofreu derrota parecida, no Palestra Itália, para o Fluminense, embora um pouco menos vexatória: 6 a 2. No ano passado, levou 4 a 0 do Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, no qual foi rebaixado para a Série B, ao perder justamente para o Vitória, na última rodada, por 4 a 3. Também em 2002, em seu estádio, a equipe, então dirigida por Vanderlei Luxemburgo, foi eliminada da Copa do Brasil pelo modestíssimo ASA, de Arapiraca, pela Copa do Brasil.

O último título conquistado foi o da Copa dos Campeões, em julho de 2000, no Nordeste. Desde aquela ocasião, o palmeirense só amarga decepções. Em meio a uma das maiores crises de seus 88 anos, o Palmeiras estreará no sábado na Segunda Divisão, contra o Brasiliense. “É melhor a gente não falar nada para não piorar a situação”, disse o volante Magrão. “Nosso time jogou muito mal”, afirmou Zinho, que jogou no lugar de Pedrinho, machucado. Depois de ter tomado banho, a maioria dos atletas evitou a imprensa e saiu pelos fundos.

Apesar de ter demonstrado força de vontade, o Palmeiras atuou de maneira desordenada, sem padrão nem organização. Os baianos ganharam com facilidade. Em 21 minutos, já tinham 3 a 0 no placar. A situação ficou ainda pior com a expulsão de Gustavo. O primeiro tempo acabou 4 a 1 e, na segunda etapa, nada mudou. Nos contra-ataques, o Vitória fechou a goleada em 7 a 2. O atacante Nadson foi o grande destaque do confronto ao fazer 4 gols. Zé Roberto, de pênalti, Dudu Cearense e Marcelo Heleno marcaram os outros. Thiago Gentil e Corrêa, de longe o melhor do Palmeiras, diminuíram o vexame.