Palestinos mantêm ataques em Israel

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 22 de outubro de 2015 as 10:30, por: cdb

Por Redação, com Reuters – de Jerusalém:

A polícia israelense disparou contra dois palestinos que esfaquearam um morador de uma cidade perto de Jerusalém nesta quinta-feira, em uma onda de violência que será o foco das negociações no final do dia entre o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Uma porta-voz da polícia disse que os palestinos ficaram gravemente feridos no incidente e o homem que eles atacaram em uma parada de ônibus na cidade de Beit Shemesh também ficou ferido. Todos os três foram levados para o hospital.

Manifestantes palestinos durante confronto contra tropas israelenses, em Hebron, na Cisjordânia
Manifestantes palestinos durante confronto contra tropas israelenses, em Hebron, na Cisjordânia

Nove israelenses foram mortos em ataques com facas, tiroteios e ataques de veículos de palestinos desde o início de outubro, enquanto 48 palestinos, incluindo 24 agressores, entre os quais crianças, foram mortos pelas forças de segurança israelenses na reação.

Entre as causas da turbulência está a revolta dos palestinos com o que consideram ser uma invasão de judeus na mesquita Al-Aqsa, na murada Cidade Velha de Jerusalém, o local mais sagrado do Islã, depois da Arábia Saudita, e que também é reverenciado pelos judeus como local dos mais antigos templos judaicos.

Netanyahu se comprometeu a manter o “status quo” em vigor há décadas no complexo, pelo qual judeus são proibidos de rezar lá, e negou as acusações palestinas de que tenha a intenção de alterar o acordo.

Problemas com palestinos

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, provocou controvérsia na quarta-feira, horas antes de uma visita à Alemanha, ao dizer que um ex-líder muçulmano de Jerusalém convenceu Adolf Hitler a exterminar os judeus.

Em um discurso para o Congresso Sionista na noite de terça-feira, Netanyahu se referiu a uma série de ataques feitos por muçulmanos contra judeus na Palestina durante a década de 1920 que, segundo ele, foram instigados pelo então mufti de Jerusalém, Haj Amin al-Husseini.

Husseini foi a Berlim visitar Hitler em 1941, e Netanyahu disse que esse encontro foi fundamental para a decisão do líder nazista de lançar uma campanha para aniquilar os judeus.

– Hitler não queria exterminar os judeus na época, ele queria expulsar os judeus – disse Netanyahu no discurso. “E Haj Amin al-Husseini foi até Hitler e disse: ‘Se você expulsá-los, todos vão vir para cá.”

– Então, o que eu deveria fazer com eles? – perguntou Hitler ao mufti, de acordo com Netanyahu. “Queime-os.”

Netanyahu, cujo pai foi um eminente historiador, foi rapidamente criticado por políticos israelenses da oposição e especialistas sobre o Holocausto, que disseram que ele estava distorcendo o registro histórico.

Autoridades palestinas afirmaram que Netanyahu parecia estar absolvendo Hitler do assassinato de seis milhões de judeus a fim de lançar a culpa sobre os muçulmanos. O Twitter foi inundado com críticas.

– É um dia triste na história em que o líder do governo israelense odeia tanto seu vizinho que está disposto a absolver o criminoso de guerra mais notório na história, Adolf Hitler, do assassinato de seis milhões de judeus – afirmou Saeb Erekat, o secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina.

– Netanyahu tem de parar de usar esta tragédia humana para marcar pontos para suas finalidades políticas – disse Erekat, que é o negociador-chefe palestino com os israelenses.

Não ficou claro em que fontes Netanyahu baseou os seus comentários. O livro “O Mufti de Jerusalém”, de 1947, e uma reportagem de jornal na época disseram nos julgamentos de crimes de guerra de Nurembergue um ex-assessor de Hitler havia declarado que Husseini tinha tramado com o líder nazista para livrar a Europa dos judeus.

Husseini foi procurado por crimes de guerra, mas nunca apareceu no processo de Nurembergue e morreu mais tarde no Cairo.