Países vizinhos ao Iraque advertem EUA e Inglaterra sobre petróleo

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Publicado sábado, 19 de abril de 2003 as 22:02, por: cdb

Os governos dos países vizinhos do Iraque advertiram neste sábado os EUA e a Grã-Bretanha de que a exploração dos recursos petrolíferos do país invadido não terá legitimidade se ficar em mãos das forças de ocupação. Eles pediram aos dois países que permitam que a ONU se encarregue da transição após a derrubada de Saddam Hussein.

Em uma reunião extraordinária realizada em Riad, na Arábia Saudita, que começou na sexta-feira e terminou neste sábado, oito ministros do Exterior pediram que as tropas de ocupação se retirem rapidamente e que o poder seja restituído aos iraquianos.

Os chanceleres também expressaram solidariedade a Síria, alvo nos últimos dias de ameaças dos EUA, que acusam o governo de Damasco de ter dado refúgio a dirigentes iraquianos e de desenvolver armas químicas – acusações rejeitadas pela Síria.

Um comunicado final divulgado expressou que a soberania, a independência e a integridade territorial do Iraque devem ser preservadas.

Entre os países participantes do encontro – o primeiro desde a derrubada do governo iraquiano -, estava a Turquia, país aliado dos EUA, embora tenha negado a Washington autorização para o uso de seu território para a passagem de tropas americanas.

Os turcos temem que a eventual criação de um Iraque com regime federativo, subdividido em áreas autônomas (entre elas, uma curda, no norte), poderia resultar em apoio à minoria curda na Turquia, que luta há anos pela independência.

Também participaram da reunião os chanceleres da Arábia Saudita, Jordânia, Kuwait, Irã e Síria além do Egito e do Bahrein. Entre os países participantes do encontro, dois, Irã e Síria, são considerados “hostis” pelos EUA, mas todos os restantes são aliados dos EUA.

Apesar disso, o chanceler saudita Saud al-Faisal disse que o levantamento das sanções que a ONU impôs ao Iraque depois da guerra de 1991 só deve ocorrer quando houver em Bagdá “um governo legítimo”. Dias atrás, os EUA pediram formalmente ao Conselho de Segurança da ONU o levantamento imediato dessas sanções.