Países do sudeste asiático se reúnem para discutir erradicação da SARS

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Publicado terça-feira, 29 de abril de 2003 as 09:06, por: cdb

Líderes de países do sudeste e leste da Ásia se reúnem nesta terça-feira em Bangcoc, na Tailândia, para discutir o avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) e formas de combate à doença.

Durante o encontro devem ser aprovadas medidas conjuntas para frear a disseminação do vírus que causa a Sars, que já matou pelo menos 330 pessoas em todo o mundo.

Uma das medidas que deve ser aprovada em Bagcoc é a realização de testes obrigatórios para a detecção do vírus em todas as pessoas que tentarem cruzar as fronteiras desses países.

Segundo o correspondente da BBC em Bangcoc Jonathan Kent, o foco das atenções na reunião deve ser a China, onde está concentrado o maior número de casos da doença.

Kent disse que a Sars está afastando visitantes e esfriando a economia da Ásia.

Para ele, as discussões em Bagcoc são uma tentativa de restaurar a confiança na região, ao mostrar que os países presentes têm todos a vontade política necessária para controlar a Sars.

A maioria das medidas que deve ser aprovada no encontro já foi esboçada em uma reunião de ministros da Saúde dos países da região ocorrida no sábado, na Malásia.

Alguns países da região, porém, têm recursos limitados para combater a Sars e, segundo o correspondente da BBC, devem ser pressionados a transformar as promessas que fizerem durante o encontro desta terça-feira em realidade.

Nesta segunda-feira, o número de mortes em decorrência da Sars na China continental chegou a 139, e a 138 em Hong Kong.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou que o alastramento da doença já atingiu seu ápice em vários países, entre eles o Vietnã e o Canadá – o único, fora da Ásia, onde houve casos de morte devido à pneumonia atípica.

A China, porém, ainda causa preocupação, e a OMS estaria monitorando a situação no país para determinar se o surto se tornará uma epidemia.

Milhares de pessoas estão sendo mantidas sob quarentena na capital do país, Pequim, onde a OMS acredita que a taxa de infecção estaria crescendo.

Um dos diretores da OMS, David Heymann, disse nesta segunda-feira que a China é “a chave” para se descobrir se a Sars poderá ou não ser erradicada.

“Estamos recebendo relatórios de mais e mais casos na China. Não parece que o número de casos da doença já atingiu seu pico no país”, disse.

Heymann também advertiu que o temor exagerado em relação à doença está, sem motivo, causando impacto negativo sobre o turismo e o comércio da região.

Ainda assim, a OMS mantém a recomendação para que as pessoas evitem viajar a Pequim, Hong Kong e as províncias de Shanxi e Guangdong, na China, e para a cidade de Toronto, no Canadá.