País comprará genéricos para combater a aids

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Publicado sexta-feira, 29 de agosto de 2003 as 22:26, por: cdb

Um decreto presidencial a ser assinado nos próximos dias permitirá ao Brasil importar três medicamentos genéricos contra a aids de países que não detêm patentes. O anúncio foi feito hoje pelo ministro da Saúde, Humberto Costa, em reunião com representantes dos laboratórios oficiais de todo o país, na sede do Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe).

De acordo com Costa, a medida foi tomada porque o governo brasileiro não tem conseguido sucesso na negociação que vem travando com três empresas farmacêuticas privadas, que detêm as patentes dos medicamentos, Roche, Merck e Abott. Ele disse que os três remédios representam 65% dos recursos destinados à compra de fármacos do Programa de aids.

“Diante disso, ingressamos em situação de emergência e assim o país terá oportunidade de comprar medicamentos genéricos nesses segmentos”, enfatizou.

Humberto Costa informou que a Índia já produz com qualidade os medicamentos Lopinavir, Efavirem e Mefinavir, que consomem R$ 550 milhões por ano. Ele revelou que atualmente 137 mil doentes de aids em todo o país fazem tratamento gratuito com remédios anti-retrovirais. O ministro lembrou que a capacidade de produção de medicamentos do país, que antes da década de 90 era de 60%, hoje é de apenas 20%. Segundo ele, a rede oficial de laboratórios do país está sendo fortalecida com investimentos para, dentro de um ano, ter condições de produzir medicamentos de alto valor agregado.

O ministro informou aos representantes de 18 laboratórios oficiais em funcionamento no Brasil que foram liberados R$ 36 milhões para readequação de áreas físicas e aumento da capacidade produtiva. Segundo ele, para o ano que vem, os recursos a serem repassados as instituições farmacêuticas oficiais totalizam R$ 80 milhões.

Costa revelou que a idéia é integrar os laboratórios para que atuem em rede, assegurando a produção de medicamentos estratégicos, de custo reduzido, para atender as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS), e permitir melhor assistência a 53% da população, que não têm recursos para comprar remédios.