Paes culpa construções irregulares pelas mortes durante chuva

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Publicado segunda-feira, 8 de março de 2010 as 11:21, por: cdb

O prefeito Eduardo Paes está pedindo aos moradores de encostas que deixem suas casas, para evitar tragédias como as mortes de sábado à noite, na comunidade da Torre Branca, no Rio Comprido, e em Anchieta, onde quatro pessoas foram vítimas de deslizamento. Apesar de a cidade ainda não ter um Plano Diretor de Drenagem, o secretário municipal de Conservação, Carlos Roberto Osório, afirmou, durante entrevista no Centro de Controle de Operações do Sistema de Gestão de Risco de Crises (Sigeric), no Centro, que as enchentes que deram um nó no trânsito da cidade não poderiam ser evitadas, pois a chuva que caiu sobre o Rio foi “extraordinária” e “atípica”. Já o subsecretário de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, afirmou que os deslizamentos no Rio Comprido e em Anchieta foram causados por causa das construções irregulares.

Carlos Osório culpou ainda a má educação da população do Rio, que, por jogar lixo nas ruas, ajuda a obstruir a rede de galerias pluviais, consequentemente provocando enchentes. “O que houve no Rio de Janeiro foi um índice pluviométrico totalmente atípico e fora de qualquer padrão normal. Tivemos em cinco horas mais chuva do que todo o mês de março do ano passado. Quando isso acontece em conjunto com um período de maré alta, é natural que existam pontos de alagamento. É impossível ter permanentemente que desobstruir (as galerias pluviais), se não tivermos a colaboração do carioca, jogando menos lixo nas ruas”, afirmou o secretário Carlos Osório.

O prefeito esteve na comunidade da Torre Branca, no Rio Comprido, e pediu aos moradores das encostas que procurem lugares seguros e se abriguem nas casas de parentes. Sobre a necessidade de realizar obras na rede de drenagem, para que ela acompanhe o crescimento da cidade, Osório afirmou que a solução é muito complicada. “São obras estruturais para atender a eventos que são tópicos e típicos. Temos que analisar se alguns pontos merecerão intervenções estruturais. A prefeitura poderá analisar e atuar”, afirmou o secretário, que, em seguida, acrescentou que nenhuma cidade do mundo aguentaria o volume de chuva que caiu sobre o Rio na noite de sábado, sem apresentar danos.

Na entrevista, que reuniu representantes de outras quatro secretarias – Obras, Defesa CIvil, Habitação e Assistência Social -, Osório afirmou que a prefeitura deu uma resposta rápida à população. Segundo ele, a cidade amanheceu com apenas duas vias alagadas: a Rua Almirante Alexandrino, em Santa Teresa, e a Rua Novo Mundo, em Botafogo.

A prefeitura decidiu alterar a programação da Operação Águas de Março, que a Comlurb e a Secretaria de Conservação desenvolvem para desobstruir as galerias pluviais. A ideia é atender, a partir de amanhã, às áreas mais afetadas pelas enchentes.

Os trabalhos acontecerão em sete pontos, entre eles a Rua Jardim Botânico, o trecho da Avenida Presidente Vargas próximo à Avenida Francisco Bicalho, a Avenida Geremário Dantas (em Jacarepaguá), a Praça da Bandeira e a Avenida Brasil (entre Caju e Irajá). Segundo a prefeitura, na primeira semana da Águas de Março, 1.400 bueiros foram desobstruídos e três quilômetros da rede de drenagem foram limpos.

O subsecretário de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, afirmou, durante a entrevista que os deslizamentos no Rio Comprido e em Anchieta foram causados por causa das construções irregulares. Apesar de cinco secretarias estarem representadas na coletiva, não havia, porém, técnicos das pastas de Urbanismo e de Meio Ambiente, que atuam em questões ligadas à fiscalização e ao combate a construções irregulares. “Os deslizamentos foram causados por escorregamento de massa nas encostas, ficando flagrante que as construções não obedeciam às normas técnicas de construção e feriam gravemente a estrutura geológica do terreno”, afirmou Simões, acompanhado por representantes de outros órgãos municipais que fazem parte do plano de contingência para chuvas fortes, criado no ano passado para desenvolver planos visando a prevenção de enchentes.

O secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, afirmou que tem feito reuniões com técnicos das pastas de Urbanismo e Meio Ambiente para tratar do assunto. Ele disse que, esta semana, a comunidade Serra do Sol, que fica à beira da Avenida Brasil, na altura de Santa Cruz, será reassentada.

Para evitar problemas como os de sábado, a prefeitura estuda, desde outubro do ano passado, a criação de um plano para mapear a rede de drenagem e também a instalação de equipamentos para monitorá-la.