Padre argentino acusado de tortura é proibido de deixar Chile

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Publicado quarta-feira, 14 de maio de 2003 as 16:34, por: cdb

Um juiz chileno que já processou o ex-ditador Augusto Pinochet proibiu nesta quarta-feira que um padre argentino, acusado de presenciar e abençoar torturas em seu país, deixe o Chile.

Christian von Wernish, descoberto há um mês num balneário chileno usando nome falso, é acusado por vítimas da ditadura de envolvimento em violações dos direitos humanos e até de participar do desaparecimento de presos políticos durante o regime militar argentino (1976-83).

Ele também foi citado pelo juiz chileno Juan Guzmán como integrante da Operação Condor, uma rede formada por forças de segurança de vários regimes militares latino-americanos para caçar militantes de esquerda na década de 70.

Segundo o advogado Hiram Villagra, que representa vítimas chilenas da Operação Condor, o juiz Guzmán proibiu que o padre saísse do país porque há evidências de que ele se encontra na clandestinidade no sul do Chile.

Depois que Von Wernish foi localizado no Chile por uma revista local, a Igreja Católica saiu em defesa do padre, assumindo sua inocência e chegando a dizer que o polêmico padre estava de férias na Argentina. A Justiça daquele país, porém, não conseguiu localizá-lo para cumprir a ordem de prisão emitida por um tribunal de La Plata.

Por causa das dúvidas sobre o paradeiro de Von Wernish, Guzmán decidiu proibi-lo de deixar o país. Esse juiz foi o único até hoje a processar o ex-ditador Pinochet, acusado de autorizar e ocultar crimes políticos. Pinochet acabou livrando-se do processo nas instâncias superiores por ser considerado “mentalmente insano”.

Mais de 3.000 chilenos morreram ou desapareceram por motivos políticos durante o regime de Pinochet, que durou de 1973 a 90.

Mesmo sem conseguir punir Pinochet, Guzmán continuou investigando o caso dos desaparecidos e já processou vários militares, inclusive de outros países, como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.