Pacto com o diabo: a campanha de Obama e o financiamento das empresas

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Publicado segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 as 14:34, por: cdb

Tradução: ADITAL

“O presidente se equivoca”, afirma um dos reluzentes diretores dacampanha de reeleição do presidente Barack Obama.

Essas quatro palavras encabeçam o site da organização ProgressistasUnidos (Progressive United), fundada pelo ex-Senador estadunidense e atualassessor da campanha de Obama, Russ Feingold, em referência ao recente anúnciode Obama de que aceitará fundos dos comitês de ação política (super PAC, porsuas siglas em inglês) para sua campanha de reeleição. Feingold escreveu: “Opresidente se equivoca ao aderir à política empresarial corrupta de CitizensUnited, mediante a utilização dos Súper PAC. Trata-se de organizações que arrecadamsomas ilimitadas de dinheiro de empresas e de indivíduos ricos, às vezes emsegredo absoluto. Não somente é uma má política, mas que, além disso, é umaestratégia boba”. E agrega: “É fazer um pacto com o diabo”.

Em 1905, o presidente Theodore Roosevelt disse ante o Congresso: “Ascontribuições das empresas a comitês políticos ou com qualquer fim políticodeveriam estar proibidos por lei”. Roosevelt promulgou uma lei para proibir asditas contribuições em 1907. Em 1912, esse controle do financiamento dascampanhas eleitorais que tinha 100 anos de história acabou, graças a cincomagistrados da Corte Suprema dos Estados Unidos, que tomaram a decisão e, 2010,no caso Citizens United, de que as empresas podem utilizar seu dinheiro paraexercer a liberdade de expressão, com o objetivo de influir nas eleições dopaís.

Após ter representado o Estado de Wisconsin no Senado dos Estados Unidosdurante 18 anos, Feingold perdeu sua reeleição ante Ron Johnson, um candidatorepublicano multimilionário e membro do tea-party, que autofinanciou suacampanha. Desde então, Feingold tem dado aulas de direito, fundou ProgressistasUnidos e, apesar de ter apoiado os esforços para destituir ao governador deWisconsin, Scott Walker, tomou a firme decisão de não candidatar-se comogovernador de dito Estado, nem à bancada do Senado dos EUA, que ficará vacanteapós a aposentadoria do senador democrata Herb Kohl.

Feingold foi o único membro do Senado que votou contra a Lei Patriotados Estados Unidos. Foi um acérrimo crítico do programa de escutas telefônicassem ordens judiciais do governo de Bush. Apesar de que Obama, quando eraSenador, ameaçou apoiar uma medida obstrucionista para impedir a aprovação dequalquer legislação que outorgasse imunidade retroativa às empresas detelecomunicações que participaram nas escutas telefônicas, mudou de posturaantes da Convenção Democrata de 2008 e votou a favor do projeto de lei.Feingold, em todos os momentos, opôs-se à lei. E, próximo à guerra doAfeganistão, Feingold me disse: “Fui o primeiro membro do Senado a solicitar umprazo para a retirada do Afeganistão. Inclusive, antes que Obama fosse eleito,quando a contenda era entre [John] McCain e Obama, perguntei: ‘Por que estamosfalando de enviar mais soldados?’… Enviar a nossos soldados para lá, gastarmilhões e milhões de dólares no Afeganistão não tem sentido. E creio que foi umerro que o presidente enviasse mais soldados e também creio que está começandoa perceber que devemos retirar-nos de lá”.

[Em breve, a tradução na íntegra para o português]

Feingold se opuso al proyecto de ley de reformade Wall Street propuesto por Obama por ser demasiado débil en su opinión yapoyó a los fiscales generales estatales, entre los que se encontraban elfiscal de Nueva York Eric Schneiderman y la también flamante co-directora decampaña de Obama, la fiscal de California Kamala Harris, quienes en unprincipio se opusieron al acuerdo con los cinco bancos más importantes del paíspor acusaciones de fraude hipotecario y la firma de documentos sin previaverificación. La reacción de Feingold al acuerdo de 25.000 millones de dólarespromovido por la Casa Blanca fue la siguiente: “Fuimos de los pocos que nosnegamos a celebrar tras el anuncio…cuando se trata de Wall Street, siemprealgo acaba mal”.

Durante la entrevista a Feingold apenas horas después de que fueranombrado como uno de los 35 co-directores de campaña de Obama le pregunté,teniendo en cuenta su crítica al presidente, si no consideraba que sudesignación era un poco curiosa. Feingold respondió: “¿Qué me dice de undirector de campaña que se enorgullece de que el Presidente haya brindadoasistencia médica a los estadounidenses por primera vez en 70 años? ¿Qué medice de un director de campaña que cree que el Presidente ha hecho algo buenocon la economía y que ayudó a aprobar el paquete de estímulo económico que nosha permitido tener 22 meses seguidos de crecimiento del empleo? ¿Qué me dice deun director de campaña de un presidente que tiene mejor reputación en elextranjero que cualquier presidente de que se tenga memoria, que revirtió elterrible daño realizado por el gobierno de Bush, que en conflictos como los deEl Cairo, India e Indonesia logró acercarse al resto del mundo? Créame, sihacemos un balance, no caben dudas. Y por último, ¿qué me dice de un directorde campaña de un presidente que, creo, nos ayudará a designar magistrados quereviertan el fallo de Citizens United?”

Hasta que eso suceda, y especialmente ahora que la campaña de Obama hadecidido “hacer un pacto con el diablo”, los súper PAC, quizá el co-director decampaña Russ Feingold nos ayude a seguir el rastro del dinero.

[Denis Moynihan colaboró en la producción periodística de esta columna.
Texto eninglés traducido por Mercedes Camps. Edición: María Eva Blotta y Democracy Now! en español, spanish@democracynow.org
Amy Goodman es la conductora de Democracy Now!, un noticiero internacional quese emite diariamente en más de 550 emisoras de radio y televisión en inglés yen más de 350 en español. Es co-autora del libro “Los que luchan contra elsistema: Héroes ordinarios en tiempos extraordinarios en Estados Unidos”,editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur].