Outro menino é encontrado morto e castrado no Maranhão

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Publicado sexta-feira, 19 de outubro de 2001 as 19:00, por: cdb

A polícia do Maranhão localizou na madrugada desta sexta-feira o corpo do garoto Diego Ruan da Silva, 11, que foi assassinado e teve os órgãos genitais retirados. Este crime completa a série de 21 casos de morte seguidos de castração no Estado em dez anos e é o segundo em duas semanas. Apenas três foram solucionados e uma pessoa condenada.

O corpo de Diego estava em um matagal na periferia de Codó (280 km de São Luís). A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira um adolescente que teria confessado o assassinato do garoto. Um outro suspeito chegou a ser detido, mas foi liberado em seguida por falta de provas.

Esse foi o primeiro caso de castração registrado no interior do Estado. Os outros 20 assassinatos haviam ocorrido na região metropolitana de São Luís.

Segundo a polícia de Codó, o garoto – além de estar com os braços amarrados e sem os órgãos genitais – apresentava sinais de estrangulamento. Diego estava desaparecido desde segunda-feira.

De acordo com o delegado da cidade Fernando Ferreira Lima Filho, o adolescente F.C.C., 17, que já havia sido preso no mês passado por ter agredido uma criança, confessou o crime que teria sido cometido na própria segunda. Eles disse ter consumido maconha e cocaína no dia do assassinato. O adolescente está preso em uma cela especial da delegacia de Codó.

Na manhã desta sexta-feira, depois de ter sido acusado por F.C.C. como co-autor do crime, um homem de 20 anos, cuja identidade não foi divulgada pela polícia, foi detido, mas liberado após prestar depoimento.

No início desta semana, o Ministério Público Estadual decidiu investigar novamente todos os assassinatos seguidos de castração ocorridos desde 91 no Estado, após pressão da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ao lado do ministério, uma equipe de quatro delegados da Polícia Civil trabalha exclusivamente nos casos.

Os assassinatos – que ocorreram com crianças e adolescentes pobres com idades entre 9 e 15 anos – foram denunciados à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), com sede em Washington, capital dos Estados Unidos.

A denúncia, feita no mês passado, partiu da ONG Centro de Defesa Padre Marcos Passerini. “É evidente que existe ligação entre os 21 crimes registrados no Estado. O governo do Estado parece que está perdido nas investigações e acaba deixando sem nenhuma satisfação os pais dos jovens mortos”, afirmou Ednamária Mendonça, diretora da ONG.

Governo

Já para o Gerente de Justiça, Segurança Pública e Cidadania, Raimundo Soares Cutrim, o crime ocorrido em Codó não tem relação com os outros 20 registrados no Estado.

“Foi apenas o primeiro caso de emasculação no interior. Foi um problema de homossexualismo com o uso de drogas, o que dá a entender que não há vinculação com os demais assassinatos e com supostas seitas satânicas”, declarou Cutrim.

O governo do Estado, o ministério e a Polícia Civil acreditam que, apesar de possuírem características semelhantes, os crimes não têm ligação entre si.

Deputados da Subcomissão dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes da Câmara estiveram em São Luís e nos municípios da região no início desta semana.

Na semana passada, o ministro da Justiça, José Gregori, colocou a Polícia Federal à disposição da governadora do Estado, Roseana Sarney (PFL), para auxiliar a Polícia Civil nas investigações das mortes de crianças e adolescentes. Até agora, o governo não se manifestou sobre a necessidade de auxílio da PF.

Desinteresse
O descaso do governo estadual, a ausência da Polícia Federal nas investigações e os conflitos entre o Ministério Público e a Gerência da Segurança Pública são os motivos que emperram os esclarecimentos dos assassinatos de crianças e adolescentes castrados no Maranhão.

As constatações acima serão a base de um relatório que está sendo elaborado pela Subcomissão para a Criança e o Adolescente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O relatório completo será entregue na próxima