Otan apóia Bush contra o Iraque

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Publicado quinta-feira, 21 de novembro de 2002 as 23:30, por: cdb

Ao início de uma reunião de cúpula em Praga, nesta quinta-feira, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concedeu ao presidente norte-americano, George W. Bush, um apoio inequívoco à sua campanha para desarmar o Iraque, fazendo um alerta em termos duros a Saddam Hussein.

Os líderes dos 19 países da Otan divulgaram um comunicado curto, no qual exigem que o Iraque cumpra “total e imediatamente” a nova resolução das Nações Unidas sobre desarmamento.

O comunicado, porém, absteve-se de endossar o uso de operações militares como forma de punir o Iraque no caso de o governo de Saddam não cooperar com os inspetores de armas.

Tal apoio, na verdade, nem seria necessário, uma vez que Bush repetidamente afirmou não depender do consentimento da ONU para eventualmente atacar o Iraque.

Até mesmo a Alemanha, que vinha fazendo forte oposição a uma possível guerra, corroborou o comunicado divulgado pela aliança, que promete “conseqüências sérias” para a desobediência iraquiana.

“Os aliados da Otan permanecem unidos em seu compromisso de adotar uma atitude eficiente para assistir e apoiar os esforços da ONU visando a garantir o total e imediato cumprimento por parte do Iraque, sem condições ou restrições”, diz o comunicado.

“Lembramos que o Conselho de Segurança, nesta resolução, advertiu que o Iraque enfrentará conseqüências sérias como resultado de sua contínua violação das obrigações”, prossegue.

Em uma referência clara a violações de resoluções anteriores da ONU, a Otan avisa que o Iraque está tendo “uma chance final de cumprir suas obrigações de desarmamento”.

Desde que chegou à capital checa, Bush vem mantendo encontros bilaterais, na tentativa de conseguir apoio para uma eventual guerra contra o Iraque.

Em uma reunião com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, Bush reiterou a disposição de esperar para ver se Saddam Hussein entregará pacificamente suas armas de destruição em massa.

Por outro lado, Bush e Blair enfatizaram que haverá mesmo uma guerra se o presidente iraquiano não colaborar com os técnicos da ONU.

“Acho que o que vocês encontrarão aqui, nesta reunião da Otan, é uma determinação totalmente unida em benefício da comunidade internacional, refletida na resolução da ONU, de que Saddam Hussein tem que se desarmar”, disse Blair.

Bush também planejou reuniões bilaterais com os presidentes Jacques Chirac, da França, e Vaclav Havel, da República Checa, e com o secretário-geral da Otan, o britânico George Robertson.

Mais expressivamente, Bush se reunirá também com o presidente Ahmet Necdet Sezer, da Turquia, que faz fronteira com o Iraque e possui bases estratégicas para qualquer ataque ao país do Golfo Pérsico.