Ortega tira impressões digitais para se exilar na Costa Rica

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Publicado terça-feira, 25 de março de 2003 as 15:41, por: cdb

Funcionários do Ministério do Interior da Venezuela foram nesta terça-feira, à embaixada da Costa Rica em Caracas para tirar as digitais do líder sindical Carlos Ortega, necessárias para que retire a liceça que o permirá deixar o país.

Os funcionários se limitaram a dizer que as digitais eram para o salvo-conduto de Ortega e que esse documento ficará pronto logo.

Ortega, foragido da Justiça desde 23 de fevereiro, quando um tribunal de Caracas ordenou sua prisão a pedido da Procuradoria Geral, pediu asilo na embaixada costarriquenha no dia 13 de março, alegando temer por sua segurança.

A Costa Rica acabou concedendo asilo ao líder sindical, que atualmente permanece na sede da embaixada desse país em Caracas a espera de que o Governo venezuelano lhe conceda um salvo-conduto.

O embaixador costarriquenho na Venezuela, Ricardo Lizano, disse nesta terça-feira que estava “tranqüilo e confiante”. Além disso, frisou que não teria porquê estar impaciente quanto à viagem de Ortega.

O vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, declarou nesta terça-feira que tinha conhecimento de que o salvo-conduto poderia sair “sem demora”.

Ortega foi acusado de promover a greve geral de 63 dias que a aliança opositora Coordenadoria Democrática organizou, de 2 de dezembro a 3 de fevereiro, para forçar a renúncia do presidente Hugo Chávez.

A greve ocasionou perdas superiores a 5 bilhões de dólares, assim como a escassez de alguns produtos básicos, gasolina e gás de cozinha.

Porta-vozes do governista Movimento V República ressaltaram que tanto Ortega quanto outros promotores da greve têm que responder à Justiça pelas multimilionárias perdas geradas pela paralisação.

Até agora, o único detido pela greve havia sido o presidente da entidade patronal, Carlos Fernández, mas, na semana passada, um tribunal de apelação lhe concedeu liberdade plena.

O embaixador costarriquenho lembrou que Ortega poderá movimentar-se livremente em seu país mas “não poderá realizar nenhuma atividade política”.

“Acreditamos que o território de um país amigo não será utilizado para atividades de caráter subversivo, incompatíveis com as boas relações entre ambos os países”, disse na quinta-feira (20) passada o ministro das Relações Exteriores da Costa Rica, Roy Chaderton.