Organizações exigem solução para os assassinatos de membros de grupos LGBT

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Publicado segunda-feira, 26 de setembro de 2011 as 21:23, por: cdb

A Associação Coletivo Violeta está apreensiva com a onda de crimes que tem vitimado os grupos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) em Tegucigalpa, capital de Honduras. O Coletivo exige esclarecimentos para 40 crimes bárbaros cometidos nos últimos anos e que estão sem explicação.

Na semana passada, o militar Daniel Vásquez, de 22 anos, do Batalhão de Infantaria próximo de Tegucigalpa, foi preso suspeito de ser o autor de pelo menos cinco dos crimes ocorridos entre 2010 e 2011.

Segundo o diretor da Polícia hondurenha, Marco Tulio Palma, o suspeito agia de forma cautelosa. “Primeiro estabelecia uma relação de amizade com suas vítimas, logo se envolvia sentimentalmente com elas e depois as assassinava”, afirmou. O acusado usava um punhal para matar suas vítimas.

O militar estava sendo procurado há quatro meses, acusado de assassinar, em novembro de 2010, em um dos bairros da capital, Jorge Nelson Flores, que pertencia a organizações da diversidade sexual. Agora será encaminhado para o Tribunal de Justiça para que seja julgado e punido.

Abraham Banegas do Coletivo Violeta pediu que “sobre esta pessoa que foi detida por suspeita das cinco mortes, seja aplicado todo peso da lei e que haja investigações pertinentes”.

Outros grupos também se uniram à luta para pedir justiça nos outros casos ainda sem solução, como a Rede Lésbica Catrachos Tegucigalpa. Segundo afirmou ao periódico Jornal La Prensa, Indyra Mendoza, coordenadora da Rede, muitos dos crimes ficam sem explicação e o país tem esse tipo de comportamento por uma questão de cultura.

Para exemplificar, a coordenadora fez um comparativo com as reações das pessoas que deixam seus comentários nas notícias sobre os casos, na maioria das mensagens o tom é homofóbico e preconceituoso.

“Na rua as pessoas te insultam, a polícia bate em você. Há amigas transexuais que são assassinadas a tiros em plena rua e nem sequer fazem um levantamento do corpo, porque dizem que têm Aids, o que não é verdade”, afirma Mendoza.

As organizações afirmam que a vulnerabilidade das pessoas LGBT piorou ainda mais devido à crise política nacional que começou em 28 de junho de 2009, com o golpe de estado que derrubou o então presidente Manuel Zelaya.

Evidências da violência

O que mais impressiona as organizações é a forma bárbara como o crime é cometido. Em dezembro de 2010, Óscar Martínez, de 45 anos foi assassinado em sua residência. Ele foi esfaqueado, amarrado em uma cadeira e queimado vivo. Outro caso bárbaro aconteceu com Luis Alvarado Hernandez, de 23 anos, que foi encontrado em uma vala com o rosto irreconhecível após levar vários golpes.

Apesar do crescimento dos casos, o Coletivo reconhece que o governo tem feito algumas aberturas, no entanto, muito tem de ser feito, pois apenas 5% dos casos são solucionados. Em reunião realizada em fevereiro desde ano com lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, o porta-voz do Departamento de Segurança, Leonel Sauceda, se comprometeu a encontrar uma solução para os crimes junto ao Ministério da Justiça e Direitos Humanos. A medida é aguardada.