Oposição ucraniana boicota votação de emendas da constituição

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Publicado terça-feira, 23 de dezembro de 2003 as 16:52, por: cdb

A oposição ucraniana boicotou nesta terça-feira, a votação de várias emendas à Constituição, às que qualificam como um “golpe de Estado” encoberto do presidente Leonid Kuchma para perpetuar a seus partidários no poder.

Deputados do grupo Nossa Ucrânia e do bloco Yulia Timoshenko quebraram o sistema de votação eletrônica do Parlamento, fizeram soar estrondosas sirenes e bloquearam o acesso à tribuna do presidente do Legislativo para evitar o exame das três polêmicas emendas.

Além disso, permaneceram toda a noite no edifício para evitar que, de surpresa, e em sua ausência fossem aprovadas as emendas.

A principal destas reformas à Carta Magna de 1996 contempla a eleição do chefe de Estado da Ucrânia pelo Parlamento em 2006 e pede ampliar a cinco anos o mandato do Legislativo.

Desta maneira, o novo presidente ucraniano, que será eleito nas eleições de 2004, só governaria dois anos e em 2006 haveria novas eleições.

Acrescenta a oposição, que isso permitiria a Kuchma recuperar-se da previsível derrota nas eleições presidenciais de 31 de outubro de 2004, derrotado pelo ex-primeiro-ministro e líder de “Nossa Ucrânia”, Víctor Yúschenko.

Se a reforma passar, o líder opositor só governaria dois anos, até 2006 e, segundo o plano de Kuchma, seria derrotado em um Parlamento que, depois de ver ampliado seu mandato, continuaria sendo governista e elegeria a um dos aliados do atual presidente para a chefia de Estado.

Para conseguir os dois terços dos votos no Parlamento e permitir a reforma da Constituição, Kuchma procura o apoio de seus anteriores inimigos comunistas, que nos últimos meses se opuseram às idéias pró-ocidentais de Yúschenko e da ex-vice-primeiro ministra Yulia Timoshenko.

Irina Heraschenko, porta-voz de Yúschenko, declarou que “Nossa Ucrânia” combaterá até o final as emendas e lembrou que 86 por cento dos ucranianos querem que o presidente seja eleito por sufrágio universal direto.

Kuchma, presidente desde 1994, não pode apresentar-se segundo a atual Constituição a uma terceira reeleição e adiantou que não tem intenção fazê-lo, embora temem que, se forem aprovadas as emendas, poderia tentar ser eleito primeiro-ministro, com um presidente com poderes mínimos e a mercê da maioria parlamentar.