Oposição a Saddam volta a se reunir para estudar novo governo

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Publicado quinta-feira, 8 de maio de 2003 as 18:44, por: cdb

Os principais grupos políticos iraquianos voltaram a se reunir nesta quinta-feira, com a intenção de formar um novo governo, mas aparentemente não conseguiram grandes avanços, dando mostras de que o governo interino provavelmente não estará formado antes do fim do mês.

Os partidos que participam do chamado Comitê de Coordenação são os dois curdos – Partido Democrático do Curdistão e União Patriótica do Curdistão -, o xiita Assembléia Suprema da Revolução Islâmica (pró-iraniano), o Congresso Nacional Iraquiano de Ahmed Chalabi (pró-EUA) e dois grupos seculares.

Estes grupos já se reuniram previamente em Londres, no ano passado, e na cidade curda de Salahedín em fevereiro, sempre com o objetivo de pactuar um governo de transição até a celebração das eleições.

No entanto, o modelo de Estado, seu caráter religioso e secular, a conquista das autonomias, e a eleição do Parlamento, entre outros temas, são assuntos que vêm criando divergências entre os participantes.

Além disso, vários deles manifestaram que se faz necessária a participação de outros grupos, tendências e inclusive personalidades individuais nestas reuniões, o que, segundo observadores, pode prolongá-las por ainda mais tempo sem que se cheguem a acordos.

Por outro lado, o diretor do Escritório de Reconstrução e Assistência Humanitária (Orah), o americano Jay Garner, máxima autoridade civil presente no Iraque, deu nesta quinta-feira uma entrevista coletiva assegurando que a situação no país melhorou muito no mês passado desde a chegada das tropas americanas.

Junto a Garner estava o tenente general David McKiernan, comandante-geral das forças terrestres da coalizão no país, que insistiu na mesma idéia, mas também reconheceu que o Iraque é muito grande e que os 150.000 soldados espalhados pelo país não bastam para garantir a segurança.
Nesta quinta-feira mesmo se soube que dois soldados americanos morreram e um terceiro ficou ferido em dois incidentes ocorridos na capital, o que indica que a situação em Bagdá está longe de ser segura.

Um dos soldados morreu por um disparo feito por um desconhecido quando estava em uma ponte sobre o rio Tigre, em Bagdá, enquanto que o outro morreu ao atingir com seu veículo um explosivo numa zona da cidade que se encontrava livre de minas. Neste mesmo incidente, um terceiro militar americano ficou ferido.

Há também milícias de diversos grupos políticos, como as do Congresso Nacional Iraquiano e as do Partido Democrático do Curdistão, que caminham pela cidade com seus próprios uniformes e suas armas sem que ninguém os incomode.

Há, além disso, os numerosos cidadãos que podem comprar pistolas e fuzis em vários mercados de armas, seja para proteger-se ou para cometer delitos, e pela noite são raros os que se aventuram pelas ruas sem estar armado.

Durante a noite, com as ruas desertas já que os moradores de Bagdá não querem se arriscar, se podem ouvir disparos distantes, rajadas isoladas que não se sabe de onde procedem nem se deixam vítimas.

As pessoas ficam dentro de suas casas assim que se põe o sol.

McKiernan disse que já há 10.000 policiais iraquianos nas ruas, e que a intenção da coalizão é ir formando mais e mais agentes para que no futuro seja só a polícia iraquiana a encarregada da segurança.

Nesta quinta-feira abriram em Bagdá dois tribunais de direito penal que retomaram suas atividades depois de mais de um mês fechados.

Além disso, tanto os funcionários como o procedimento judicial serão os mesmos da época do governo de Saddam Hussein, já que segundo o conselheiro da Orha no Ministério de Justiça iraquiana, Clint Williamson, a justiça ordinária não estava “contaminada” pela corrupção nem pela repressão, como os tribunais especiais criados pelo regime deposto.