ONU não vê provas sobre o Iraque para autorizar guerra

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Publicado sábado, 15 de fevereiro de 2003 as 12:14, por: cdb

Os inspetores não encontraram provas de armas de destruição em massa no Iraque, afirmou ontem Mohamed ElBaradei, um dos chefes da equipe de inspeção da ONU, ao apresentar seu relatório ao Conselho de Segurança. Durante o debate que se seguiu à apresentação do informe, a maioria dos 15 membros do Conselho de Segurança se pronunciou a favor da continuação das inspeções dos técnicos em desarmamento.

Nessas condições, a hipótese da aprovação de uma resolução justificando o uso da força, opção evocada pelos EUA, parece, por enquanto, descartada.

Antes do pronunciamento de ElBaradei, o outro inspetor-chefe de armas da ONU, Hans Blix, declarou que precisa de mais tempo para concluir as buscas de armas de destruição em massa no Iraque.

Blix declarou que as descobertas feitas no Iraque até o momento são “consistentes” com as declarações do governo de Saddam Hussein.

Segundo ele, os inspetores têm dificuldade para encontrar as supostas armas químicas e biológicas guardadas pelo país, e o governo tem dificuldade para demonstrar que elas foram destruídas.

Blix afirmou que não há provas de que o Iraque tinha conhecimento prévio sobre o trabalho dos inspetores de armas da ONU.

Blix voltou a afirmar que não encontrou no Iraque nenhuma arma de destruição em massa. Segundo ele, os inspetores não encontram dificuldades no acesso aos locais suspeitos, pois o Iraque parece ter concordado em cooperar com as buscas.

Durante a apresentação do relatório final sobre a crise iraquiana, Blix detalhou o trabalho realizado por sua equipe durante as 11 semanas de inspeções.

Segundo Blix, a equipe realizou 400 inspeções e visitou cerca de 300 áreas suspeitas de produzir ou armazenar armas de destruição em massa. Ele contou que a equipe está começando a destruir 15 litros de gás mostarda e que um terço deste total já foi eliminado.

Bagdá está otimista

As autoridades iraquianas consideram que os Estados Unidos agora terão mais dificuldades para conseguir a aprovação da comunidade internacional a uma guerra contra o Iraque e se comprometeram a aumentar sua cooperação, depois da apresentação do relatório dos chefes dos inspetores de armas da ONU.

Para Bagdá, os informes apresentados ontem pelo chefe da Comissão de Vigilância, Verificação e Inspeção (Unmovic), Hans Blix, e pelo diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, diante do Conselho de Segurança da ONU são “objetivos e honestos”.

Segundo o jornal “Babel”, dirigido por Udai Saddam Hussein, o filho primogênito do presidente iraquiano, Saddam Hussein, os relatórios de Blix e ElBaradei tornam mais improvável um apoio da ONU a uma eventual guerra contra o Iraque.

A reportagem do “Babel” afirma que as declarações destas duas autoridades, destacando os progressos conseguidos na verificação do desarmamento do Iraque, dão argumentos aos países contrários à precipitação de uma guerra.

“Essas forças podem utilizar o informe para impedir que a maléfica administração norte-americana utilize as Nações Unidas como cobertura para sua agressão contra nós”, declarou o jornal.

Opinião de analistas

O relatório apresentado por Blix e ElBaradei reforçou a divisão na ONU e adiou, pelo menos por alguns dias, a possibilidade de uma guerra no Iraque. A opinião é de duas analistas entrevistadas ontem pela BBC Brasil.

Maria do Rosário de Morais Vaz, pesquisadora do Departamento de Segurança e Defesa do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais de Lisboa, disse à BBC Brasil que uma intervenção militar unilateral dos Estados Unidos ainda pode ocorrer até o começo de março.

Ela assinalou que o aparato militar norte-americano está pronto para ser utilizado em um possível ataque, mas acredita que a comunidade internacional não está convencida de que uma guerra seja a melhor solução para a crise no Iraque.

Em outra entrevista à BBC Brasil, Rachel Barnard, diretora do Departamento de Política e Estudos Internacionais da Univer