ONU debate resolução e Saddam busca mais tempo

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Publicado sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003 as 19:51, por: cdb

Com o Conselho de Segurança debatendo a possibilidade de guerra contra o Iraque, o governo de Saddam Hussein afirmou na quinta-feira que havia concordado, “em princípio”, em iniciar a destruição dos mísseis balísticos classificados como ilegais, uma vez que seu alcance excede os limites impostos após a Guerra do Golfo.

A decisão de Bagdá foi encaminhada em uma carta a Hans Blix, inspetor-chefe da ONU, enquanto ele completava um relatório, indicando que o Iraque havia apresentado uma resposta “muito limitada” às demandas de desarmamento do Conselho de Segurança, aprovadas no último mês de novembro.

O relatório, a ser entregue ao Conselho de Segurança na sexta-feira, aparentemente oferecia algum apoio para a avaliação do governo Bush que Saddam não pretende se desarmar.

A decisão do Iraque de destruir mais de 120 mísseis Samoud 2, com o prazo final do sábado se aproximando, indicou que Saddam estava tentando evitar um ataque militar liderado pelos EUA e seus aliados.

O embaixador britânico na ONU, Sir Jeremy Greenstock, teria revelado novas informações na sessão fechada do Conselho de Segurança na quinta-feira, confirmando que o Iraque havia continuado com a produção de gás mostarda.

Em Washington, altas autoridades do governo Bush afirmaram que sua intensa campanha de lobby estava realizando progressos para garantir os nove dos 15 votos do Conselho para que a resolução proposta por americanos, britânicos e espanhóis receba o apoio da ONU para uma ação militar.

O secretário de Estado Colin L. Powell também passou o dia pressionando líderes de nações fundamentais e acredita, conforme indicou uma alta autoridade do governo, que as três nações africanas do Conselho – Angola, Guiné e Camarões – acompanharão os EUA quando Washington buscar uma votação nas próximas duas semanas. Powell também acredita que entre Paquistão, México e Chile, Washington poderia conquistar dois dos três votos que necessitaria para aprovar a resolução de guerra, afirmou aquela autoridade.

França e Alemanha mantiveram a oposição a qualquer decisão imediata sobre a guerra e pediram mais tempo para a força de inspetores da ONU.

Na quinta-feira, os líderes da Turquia adiaram uma votação do Parlamento sobre a permissão que permitiria às tropas americanas utilizarem o país como base de ataque ao Iraque. As autoridades afirmaram que a votação havia sido cancelada até sábado.

No Iraque, Saddam levou algumas de suas melhores tropas de Mosul no norte do Iraque para Tikrit, onde nasceu Saddam, e Bagdá, a capital. Isso deixa apenas uma divisão da Guarda Republicana no norte do país, onde as forças curdas, americanas e turcas devem ser enviadas se a guerra se concretizar.

As autoridades militares afirmaram que os bombardeiros B-2, que teriam um papel significativo no bombardeio de alvos iraquianos nas primeiras horas de um conflito, receberam ordens para deixarem suas bases no Reino Unido e se dirigirem para a ilha de Diego Garcia no Oceano Índico. O porta-aviões Nimitz e seu grupamento de batalha também devem deixar San Diego em 03 de março para serviço no Golfo Pérsico.