ONU adota resolução 1441 contra o Iraque

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 9 de novembro de 2002 as 00:24, por: cdb

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira, uma nova resolução exigindo do Iraque acesso total aos inspetores da organização, em missão para verificar as armas de destruição em massa do país. Mesmo a Síria, país árabe, votou a favor da resolução.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, descreveu a resolução como uma “última chance” para o Iraque cumprir as determinações impostas pelo órgão ao término da Guerra do Golfo, em 1991, no que diz respeito a armas químicas, biológicas e nucleares.

A nova resolução, que concede poderes mais amplos aos inspetores, está em acordo com a campanha dos Estados Unidos para desarmar o regime de Saddam Hussein.

O documento prevê que o Conselho de Segurança volte a se reunir caso o Iraque apresente dados falsos sobre seu arsenal. O país terá um prazo de 30 dias para apresentar um relatório de suas armas.

“A desobediência deixou de ser uma opção”, declarou o embaixador norte-americano na ONU, John Negroponte, salientando, porém, que a resolução permitirá um desfecho pacífico para o impasse.

“A maneira como essa crise será resolvida afetará imensamente o curso da paz e da segurança na região e no mundo”, declarou, após a sessão. “Eu cumprimento o conselho por ter agido hoje com determinação”.

O governo do presidente norte-americano George W. Bush reiterou sua posição quanto a uma campanha militar contra o Iraque, no caso de o governo de Bagdad descumprir a resolução: fará consultas ao Conselho de Segurança, mas não precisará da aprovação da ONU para lançar qualquer ataque.

Imediatamente após a votação, o presidente Bush leu um comunicado nos jardins da Casa Branca, dizendo que o Iraque enfrentará “as mais severas das conseqüências” se não obedecer à ONU.

“Se é para evitar a guerra, todas as nações têm que continuar a pressionar Saddam Hussein a aceitar essa resolução e cumprir suas obrigações”, afirmou.

Em Londres, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que a comunidade mundial escolheu “o desarmamento através da ONU, com a força como último recurso”.

O vice-primeiro-ministro do Iraque, Tariq Aziz, negou repetidamente que o país possua armas de destruição em massa.

Nas horas que antecederam a votação, os Estados Unidos obtiveram apoios cruciais em sua campanha para erradicar as alegadas armas de destruição em massa do Iraque.

O texto final foi aprovado com duas modificações e agora inclui um artigo em que a palavra “ou” deu lugar a “e”. Além disso, a frase “restabelecer a paz e a segurança internacionais” foi mudada para “garantir a paz e a segurança internacionais”.

Os termos originais eram motivo de preocupação para França, Rússia e China, que têm poder de veto no Conselho de Segurança.

De acordo com representantes dos três países, as expressões anteriores poderiam dar margem para um ataque automático dos Estados Unidos ao Iraque.

A Síria, segundo diplomatas na ONU, acabou optando por votar a favor para não ficar isolada, diante da unanimidade conseguida no Conselho de Segurança.

Para ser aprovada, a resolução precisava dos votos de nove dos 15 membros do Conselho de Segurança e não podia ser vetada por nenhum dos cinco países com cadeira permanente no organismo – Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China.

Passadas oito semanas de mobilizações diplomáticas em torno do envio dos inspetores de armas do Iraque, a resolução foi votada apenas dois dias após o presidente norte-americano, George W. Bush, ter obtido uma importante vitória doméstica: a retomada do controle do Congresso pelos republicanos.

O triunfo do partido nas eleições intermediárias foi, de certa forma, interpretado pela Casa Branca como um endosso ao governo de Bush e suas iniciativas, inclusive um eventual ataque ao Iraque.