ONG loteia e vende terrenos na Amazônia por até R$ 267

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 5 de junho de 2007 as 11:30, por: cdb

A recém-lançada organização não-governamental britânica Cool Earth comemora o Dia do Meio Ambiente com uma campanha que incentiva as pessoas a comprarem seu próprio terreno na Floresta Amazônica para ajudar a combater o aquecimento global.

Os lotes são anunciados no site da instituição na internet com preços que vão de 35 libras (o equivalente a aproximadamente R$ 133 reais) por meio acre (cerca de 2 mil metros quadrados) a 70 libras (R$ 267) por um acre (4 mil metros quadrados) de floresta no Brasil ou no Equador.

Depois de feita a compra, o terreno poderá ser acompanhado constantemente por meio de mapas virtuais feitos com imagens de satélites. Os novos “proprietários” receberiam ainda boletins informativos de guardas ambientais locais, empregados pela organização, sobre a preservação da área.

“Se um milhão de pessoas fizerem isso (comprarem um acre de floresta), haverá um enorme impacto no combate ao aquecimento global, protegendo florestas ameaçadas e os animais selvagens que lá vivem, e criando empregos sustentáveis para as comunidades locais”, diz uma declaração emitida pela Cool Earth.

Colonialismo Verde

A iniciativa foi lançada pelo parlamentar trabalhista Frank Field e o milionário sueco Johan Eliasch, que causou polêmica em 2005, quando comprou um terreno de 400 mil acres na Floresta Amazônica de uma madeireira norte-americana.

Enquanto alguns viram a ação como algo benéfico para a região, outros criticaram o empresário por ter deixado mais de mil pessoas sem emprego e o acusaram de “colonialismo verde”.

“Isso não é ‘colonialismo verde’ porque não queremos ameaçar a soberania do país, nem prejudicar comunidades locais. Estamos trabalhando com os moradores e cooperando com os governos locais”, disse Eliasch.

“Ninguém sugeriu que se compre a Floresta Amazônica. Esse é território brasileiro e os outros países não devem se envolver. Estamos falando de desenvolver esquemas de compra e arrendamento em que, de fato, o resto do mundo pague pelos ‘serviços ambientais’ providos pela Floresta”, afirmou.

Comunidades Locais

A Cool Earth pretende botar as terras compradas no nome de fundações locais. Os moradores dessas regiões teriam direito de colheita (no caso de produtos auto-sustentáveis, como borracha, castanha e açaí) e seriam beneficiados por programas de educação e saúde desenvolvidos pela organização.

“Trabalhar com as populações nativas, fazendo com que elas se sintam donas da floresta, é muito mais eficiente que apenas empregar guardas para evitar o desflorestamento”, defendeu Eliasch.

A organização diz que, a cada ano, a destruição de florestas tropicais em todo o mundo gera seis bilhões de toneladas de CO2, mais que todo o gás carbônico produzido nos Estados Unidos.

“Todos nós sabemos do aquecimento global, mas a maioria das pessoas se sente impotente para lidar com algo numa escala tão grande. Esta é a oportunidade ideal para que cada um de nós tenha um papel importante em mudar o mundo”, diz o parlamentar Frank Field.

Depois dos projetos-piloto no Brasil e no Equador, a Cool Earth pretende vender lotes de florestas na África e na Ásia.