ONG digulga manifesto sobre violência na comunidade da Maré

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 28 de setembro de 2009 as 11:23, por: cdb

A comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, vive dias de tensão com confrontos armados diários, com um comércio que é constantemente interrompido e, ainda, de acordo com relatos, moradias invadidas, quedas de luz, além de um altíssimo número de mortos e feridos na região.  A organização não-governamental, Justiça Global, chama a atenção da população, através de um manifesto que circula pela internet, para a atual situação da Maré e de seus moradores.

Segundo a Justiça Global, na madrugada do dia 30 de maio de 2009, um grupo de traficantes da Baixa do Sapateiro começou uma tentativa de tomar os pontos de vendas de drogas controlados por outra facção criminosa em uma comunidade vizinha, a Vila dos Pinheiros. Oito escolas e cinco creches ficaram fechadas por mais de uma semana, deixando cerca de 10 mil alunos sem aula.

De acordo com o manifesto, nos primeiros quinze dias de conflitos na Maré, em junho, quando a imprensa chegou a dar algum espaço para a situação vivida pelas comunidades, 19 mortes foram noticiadas. No entanto, um levantamento entre moradores aponta para mais de 50 mortes desde o início dos confrontos, há quase quatro meses.

No texto que está sendo repassado através de e-mails, uma moradora do Morro do Timbau, diz
que as pessoas têm medo de sair de suas casas e que chegou a passar uma semana sem ver seus pais. O texto relata ainda que policiais teriam participado da invasão à Vila dos Pinheiros e que moradores afirmam que três veículos blindados da Polícia Militar – os chamados ‘caveirões’ – foram ‘alugados’ para traficantes de uma das facções envolvidas. Na Maré, esta é uma informação naturalizada.

O manifesto revela que com relação ao aluguel dos caveirões, a secretaria de Segurança tentou abafar a notícia. O texto diz que ao tentar desqualificar a notícia, o órgão entrou em contradição com falas anteriores do secretário José Mariano Beltrame, que por diversas vezes já havia ressaltado a importância de denúncias anônimas para as investigações policiais.

O texto faz criticas ao governador do Estado, Sérgio Cabral, ao dizer que “o silêncio é indiscutivelmente, um reflexo dessa indiferença com que os governantes tratam os bairros pobres do Rio de Janeiro, mas pode esconder também uma estratégia perversa: a do “quanto pior, melhor””.

O manifesto cita ainda, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que segundo a ONG, não rompem com a lógica das políticas de segurança que vêm sendo implementadas seguidamente pelos últimos governos. O caso do jovem Felipe Correia, de 17 anos, conversava com amigos há cerca de dez metros da casa de sua família, em abril deste ano e que foi morto por PMs também aparece no texto.

No final do manifesto, a Justiça Global diz que “as organizações abaixo-assinadas se somam em solidariedade ao povo da Maré e reafirmam, categoricamente, que não aceitam mais uma política de segurança que encare a favela como território inimigo e que obedeça a uma lógica de exclusão, em que se governa apenas para alguns e se reserva a outros a violência da repressão, do controle e, frequentemente, do extermínio”.

Para assinar o manifesto basta enviar um e-mail para manifestomare@gmail.com