“Onde estão as sanções contra a Alemanha?”

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Publicado quinta-feira, 25 de outubro de 2012 as 13:05, por: cdb

Marisa Matias afirmou quinta-feira no PE, durante a discussão em plenário do relatório sobre o Semestre Europeu: “todos sabemos também que a Alemanha não cumpre as recomendações da Comissão Europeia (…) A Alemanha não respeita as recomendações e não ouço aqui ninguém a dizer nada. Onde é que estão as sanções?” Artigo |25 Outubro, 2012 – 17:57 Marisa Matias afirmou no PE: “A Alemanha não respeita as recomendações e não ouço aqui ninguém a dizer nada. Onde é que estão as sanções?”

A eurodeputada da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleita pelo Bloco de Esquerda questionou a aplicação de sanções automáticas, previstas por este relatório, para os países que não cumprem as metas inscritas nos Tratados para o défice e para a dívida. “Sobre isto parecem estar todos de acordo. São todos muito fortes para os fracos, mas muito fracos para os fortes. Enquanto não for aplicada nenhuma sanção à Alemanha por violar os Tratados – e a Alemanha até pode pagar porque a sua infração foi acumular excedentes – é imoral que tome por adquirido que devem pagar automaticamente os que também violaram por acumulação de défice, e que até por isso mesmo têm dificuldade em pagar. Isto não é democrático!”

Marisa Matias salientou que há dois pesos e duas medidas, que há tratamento diferenciado “mesmo no que diz respeito ao cumprimento do défice e da dívida, a regra não vale para todos por igual. Sabemos que é imediato para os países que estão sobre intervenção da Troika, mas o mesmo não se aplica a países do centro ou do norte da Europa que não cumprem os mesmos critérios.”

A eurodeputada concluiu dizendo que “só quando conseguirmos introduzir alguma justiça em tudo isto é que conseguiremos uma verdadeira coordenação económica, que tão necessária é. Até lá, continuaremos a dar sempre mais destaque à aplicação de medidas que se apoiam quase exclusivamente nos cortes orçamentais, na privatização dos serviços públicos, no aumento de impostos. É esta a receita, sem tirar nem pôr, que está a ser aplicada nos orçamentos de Estado dos países sob intervenção. Para estes cidadãos, semestre europeu é sinónimo de injustiça e de pobreza. Em Portugal, num simples semestre europeu andámos muitos anos para trás.”

Texto de Cláudia Oliveira, publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu