OMS: prevenção a doenças pode salvar 16 milhões de vidas por ano

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Publicado segunda-feira, 19 de janeiro de 2015 as 12:27, por: cdb
Atualizado em 15/04/16 06:16
De acordo com a OMS, são sobretudo os países de renda média que devem apostar neste tipo de políticaDe acordo com a OMS, são sobretudo os países de renda média que devem apostar neste tipo de política
De acordo com a OMS, são sobretudo os países de renda média que devem apostar neste tipo de política

 

As doenças não transmissíveis como câncer e diabetes causam 38 milhões de mortes, por ano, das quais 16 milhões poderiam ser evitadas com medidas preventivas, aponta relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

– A comunidade internacional tem a possibilidade de mudar o curso das doenças não transmissíveis – declarou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, na apresentação do relatório. “Ao investir entre um e três dólares por ano e por pessoa, os países poderiam diminuir fortemente o número de doentes e de mortes devidos a essas doenças não transmissíveis”, como câncer, doenças cardíacas, pulmonares, respiratórias e diabetes, afirmou.

No ano que vem, cada país deveria fixar objetivos para a introdução dessas medidas preventivas, uma vez que sem elas “milhões de vidas serão novamente perdidas muito cedo”, defendeu Margaret.

Em 2000, 14,6 milhões de pessoas morreram prematuramente na sequência de doenças não transmissíveis, por falta de prevenção. Esse número passou para 16 milhões em 2012, de acordo com dados da OMS. As mortes prematuras por causa de doenças não transmissíveis podem ser evitadas por meio de políticas antitabagistas, contra o abuso do álcool e promoção de atividades físicas e desportivas.

De acordo com a OMS, são sobretudo os países de renda média que devem apostar neste tipo de política, uma vez que as mortes devido a doenças não transmissíveis são superiores às causadas por doenças infecciosas.

Seis países registram as taxas mais elevadas de mortes prematuras: Afeganistão, Fiji, Uzbequistão, Cazaquistão, Mongólia e Guiana. Cerca de 28 milhões de mortes causadas por doenças não transmissíveis ocorrem em países de renda média ou baixa.

Em 2013, a OMS lançou um plano de ação, com nove objetivos, para reduzir em 25%, até 2020, o número de mortes prematuras. O tabaco mata 6 milhões de pessoas por ano; o álcool, 3,3 milhões; a falta de exercício físico, 3,2 milhões e o excesso de sal na alimentação, 1,7 milhão.

A OMS está também preocupada com as consequências da obesidade infantil e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, hipertensão, ou doenças ligadas à artrose. Atualmente, 42 milhões de crianças, com menos de cinco anos, são obesas.

Transplantes de medula óssea

Até 2016, os pacientes que precisam de um transplante de medula óssea poderão contar com um número maior de leitos para a realização do procedimento. A expectativa do Ministério da Saúde é triplicar os existentes, passando de 88 para 250. A partir de incentivo financeiro, o objetivo é ampliar a capacidade de realização de transplante de medula óssea não aparentado (alogênico) no Brasil. A pasta vai investir R$ 240 mil para abertura de cada novo leito ou ampliação dos já existentes, destinados a transplantes entre doadores e receptores sem ligação familiar. O recurso garante ainda a criação e a melhoria da qualificação da equipe de atendimento, a aquisição de equipamentos e materiais, além de permitir a reforma e/ou construção dos Centros de Transplantes, que hoje somam 27 unidades. Em 2003, eram apenas quatro serviços.

Para receber os recursos, os hospitais precisam apresentar um projeto ao Ministério da Saúde, se comprometer a habilitar cinco leitos e a realizar, no mínimo, dez transplantes de medula óssea não aparentado por ano, considerado o mais complexo. O transplante de medula óssea é um procedimento de alta complexidade. O paciente transplantado praticamente zera toda a sua capacidade de resposta imunológica, e, por isso, requer infraestrutura hospitalar que atenda requisitos de segurança, como isolamento, e uma equipe multidisciplinar qualificada para garantir o sucesso do procedimento.