OMS irá iniciar vacinação contra febre amarela em Angola e no Congo

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Publicado quinta-feira, 23 de junho de 2016 as 11:58, por: cdb

O pior surto de febre amarela em décadas já matou cerca de 345 pessoas em Angola, e o Congo declarou uma epidemia em Kinshasa e duas outras províncias

Por Redação, com agências internacionais – de Kinshasa/Brasília:

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira que irá iniciar campanhas de vacinação de emergência contra a febre amarela ao longo da fronteira entre Angola e a República Democrática do Congo e na capital congolesa, Kinshasa, no mês que vem.

O pior surto de febre amarela em décadas já matou cerca de 345 pessoas em Angola, e o Congo declarou uma epidemia em Kinshasa e duas outras províncias na segunda-feira depois de relatar 67 casos confirmados e mais de mil outras ocorrências suspeitas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira que irá iniciar campanhas de vacinação de emergência contra a febre amarela
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira que irá iniciar campanhas de vacinação de emergência contra a febre amarela

Em um comunicado, a OMS disse que a campanha irá visar áreas em uma distância de 75 a 100 quilômetros da divisa, onde há muita circulação e comércio, para criar uma “região tampão imune” e evitar que a doença se propague.

Segundo a entidade, a campanha irá começar em julho. Atualmente quase não há mais vacinas no Congo, e uma nova leva de mais de um milhão de doses pode demorar semanas para chegar.

O estoque global de vacinas para febre amarela já se esgotou duas vezes neste ano devido à imunização dos habitantes de Angola, Uganda e Congo. A quantidade atual é de 6 milhões de doses, mas especialistas alertam que isso pode não bastar se houver surtos simultâneos em várias áreas densamente povoadas.

O vírus da febre hemorrágica transmitido por mosquitos é uma grande preocupação em Kinshasa, uma cidade de cerca de 12 milhões de habitantes com serviços de saúde precários, um clima úmido propício aos insetos e muita água estagnada onde podem procriar.

Casos de microcefalia

O Ministério da Saúde confirmou o diagnóstico de microcefalia e outras alterações no sistema nervoso em 35 bebês na última semana, todos sugestivos de terem sido causados por infecção congênita. Ao todo, agora são 1.616 casos registrados de outubro do ano passado até o dia 18 de junho.

Segundo a pasta, há 3.007 bebês com suspeita de malformações que  ainda não tiveram os exames concluídos para diagnóstico preciso. São 40 casos a menos sem diagnóstico conclusivo, considerando os dados do boletim anterior.

Dos casos confirmados, 233 tiveram exames laboratoriais comprovando que foram causados pelo vírus zika. Entretanto, para o Ministério da Saúde, esse número não reflete a realidade. Para a pasta, a maior parte dos casos confirmados foi causada pelo zika, mas, por dificuldades de diagnosticar a doença, a situação não foi comprovada em laboratório.

O novo boletim descartou 3.416 casos que eram considerado suspeitos porque os exames não revelaram anormalidade, porque as malformações foram confirmadas por causas não infecciosas ou não se enquadraram na definição de caso. Entre o boletim anterior e o divulgado hoje, 108 casos foram descartados.

No total, houve registro de suspeita de microcefalia em 8.039 bebês, dos quais 1.616 foram confirmados, 3.416, descartados e 3.007 continuam sendo investigados. Todos os estados e o Distrito Federal têm casos confirmados,  a maior parte (1.410) registrada no Nordeste. A Região Sudeste tem 98 confirmações, cinco a mais do que na última semana.

Zika

Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o vírus zika começou a circular no Brasil entre 2013 e 2014, mas os primeiros registros foram feitos pelo Ministério da Saúde em maio de 2015. O que se sabia sobre a doença, até o segundo semestre do ano passado, era que sua evolução costumava ser benigna e que os sintomas, geralmente manchas vermelhas no corpo, fadiga, dores nas articulações e conjuntivite, além de febre baixa, eram mais leves do que os da dengue e da febre chikungunya, também transmitidas pelo Aedes aegipty.

Porém, em outubro de 2015, pesquisadores identificaram a presença do vírus no líquido amniótico de um bebê com microcefalia. Em 28 de novembro, o Ministério da Saúde confirmou que, quando gestantes são infectadas pelo vírus, podem gerar crianças com microcefalia, uma malformação irreversível do cérebro que pode vir associada a danos mentais, visuais e auditivos. Pesquisadores confirmaram que a Síndrome de Guillain-Barré também pode ser ocasionada pelo zika.

A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos, além do zika, como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes viral.