OMS irá enviar missão para investigar surto de zika na Guiné-Bissau

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Publicado sexta-feira, 22 de julho de 2016 as 11:54, por: cdb

Autoridades da Guiné-Bissau informaram que a presença do vírus zika no país foi confirmada através de testes em Portugal e no Senegal, tendo sido detectadas três pessoas infectadas na ilha de Bubaque

 

Por Redação, com ABr – de Lisboa/Rio de Janeiro:

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai enviar, na próxima semana, uma missão à Guiné-Bissau para ajudar na investigação do surto de zika, que já registrou quatro casos positivos.

– Uma missão multidisciplinar de avaliação à Guiné-Bissau está planejada para a última semana de julho e irá apoiar a investigação do surto e avaliar o nível de preparação no país – informou a OMS.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai enviar, na próxima semana, uma missão à Guiné-Bissau para ajudar na investigação do surto de zika
A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai enviar, na próxima semana, uma missão à Guiné-Bissau para ajudar na investigação do surto de zika

No documento, divulgado nesta sexta-feira, a organização recorda que, em junho, o Instituto Pasteur de Dacar confirmou que quatro de 12 amostras provenientes da Guiné-Bissau revelaram ter zika e acrescenta que quatro novas amostras foram enviadas no último dia 1o, mas ainda não há resultados.

Autoridades da Guiné-Bissau informaram que a presença do vírus zika no país foi confirmada através de testes em Portugal e no Senegal, tendo sido detectadas três pessoas infectadas na ilha de Bubaque.

Até agora, Cabo Verde e a Guiné-Bissau são os dois únicos países da África Ocidental afetados pela zika, que, desde que foi descoberta em outubro de 2015, já registrou casos em 62 países, sobretudo no continente norte-americano, mas também na região do Pacífico Ocidental.

O vírus zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e o impacto no ser humano pode acontecer durante a gravidez. Organizações internacionais de saúde já confirmaram que a infecção pode causar microcefalia no feto.

Pernilongo

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou a presença do vírus zika em mosquitos Culex quinquefasciatus (nome científico da muriçoca ou pernilongo doméstico) coletados na cidade do Recife. Com isso, o inseto pode ser um potencial transmisssor do vírus. Até o momento, nenhuma pesquisa científica comprova essa possilidade.

A pesquisa foi feita pela Fiocruz Pernambuco na região metropolitana do Recife, onde a população do Culex quinquefasciatus é cerca de 20 vezes maior do que a do Aedes aegypti,principal transmissor do vírus. Os resultados preliminares da pesquisa de campo identificaram a presença de Culex quinquefasciatus infectados naturalmente pelo vírus zika em três dos 80 grupos de mosquitos analisados até o momento. Em duas dessas amostras, os mosquitos não estavam alimentados, demonstrando que o vírus estava disseminado no organismo do inseto e não em uma alimentação recente num hospedeiro infectado.

A coleta dos mosquitos foi feita com base nos endereços dos casos relatados de zika nas cidades do Recife e Arcoverde, obtidos com a Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco (SES-PE).

O número total de mosquitos examinados na pesquisa foi de aproximadamente 500. O objetivo do projeto é comparar o papel de algumas espécies de mosquitos do Brasil na transmissão de arboviroses. Foi dada prioridade ao vírus zika devido à epidemia da doença no Brasil e sua ligação com casos de microcefalia.

– A pesquisa simula a condição de viremia de um paciente real. Em seguida, os mosquitos foram coletados em diferentes momentos: no tempo zero, logo após a infecção, três dias, sete dias, 11 e 15 dias após a infecção pelo vírus – esclareceu a pesquisadora e coordenadora do estudo, Constância Ayres.

Um grupo controle, com mosquitos alimentados com sangue sem o vírus, também foi mantido. Cada mosquito foi dissecado para a extração do intestino e da glândula salivar, tecidos que representam barreiras ao desenvolvimento do vírus. O procedimento se dá de maneira que, se a espécie não é vetor, em determinado momento o desenvolvimento do vírus é bloqueado pelo mosquito. No entanto, se a espécie é vetor, a replicação do vírus acontece, se dissemina no corpo do inseto e acaba infectando a glândula salivar, a partir da qual poderá ser transmitido para outros hospedeiros durante a alimentação sanguínea, pela liberação de saliva contendo vírus.

Segundo Constância, a partir do terceiro dia após a alimentação artificial, já foi possível detectar a presença do vírus nas glândulas salivares das duas espécies de mosquito investigadas: “Após sete dias, foi observado o pico de infecção nas glândulas salivares o que foi confirmado através de microscopia eletrônica”.

A partir dos dados obtidos serão necessários estudos adicionais para avaliar o potencial da participação do Culex na disseminação do vírus zika e seu real papel na epidemia. O estudo atual tem grande relevância, uma vez que as medidas de controle de vetores são diferentes. Até os resultados de novas evidências, a política de controle da epidemia de zika continuará pautada pelas mesmas diretrizes, tendo seu foco central no controle do Aedes aegypti.